DELITO há dez anos
JPT: «Há alguns meses Durão Barroso comentou a posição francesa sobre a excepção cultural no seio da liberalização comercial. A reacção francesa foi iracunda e bastante desvalorizadora da Comissão Europeia, algo que vindo da pátria de Monnet e de Delors não deixou de ser surpreendente. Em Portugal li, logo, algumas céleres vozes criticando o dito de Durão Barroso. Claro, e para além do assunto, há que bater no homem. Por várias razões, uma das quais é esta esquizóide forma de xenofobia lusa, a de dizer mal de qualquer patrício mal ele tenha assomado além fronteiras.»
Teresa Ribeiro: «A sensibilidade não é uma qualidade, é uma textura.»
Eu: «Os Lusíadas, que consulto com frequência, permanecem à parte, na sala. Numa das estantes do corredor, alinho as obras de Eça. Perto de Borges e Shakespeare: o nosso melhor romancista de todos os tempos justifica lugar à parte. Os outros ficam na divisão a que decidi chamar escritório. Com merecidos destaques em prosa e poesia, também em função da quantidade de livros que disponho de cada autor. Sophia de Mello Breyner, poesia completa. E os seus sublimes Contos Exemplares -- que tenho também em duplicado, como acabo de descobrir. Ruy Belo, poesia completa. Alexandre O'Neill, poesia completa. E a excelente biografia do autor de Um Adeus Português escrita por Maria Antónia Oliveira (Dom Quixote, 2005). A obra inteira de Miguel Torga. O inevitável Pessoa. Saramago, quase todo. Vergílio Ferreira, quase todo. A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino. Barranco de Cegos, de Redol. Os Meninos de Ouro, de Agustina. Os Contos do Gin-Tonic, de Mário-Henrique Leiria. (E onde pára Mau Tempo no Canal, de Nemésio, que não consigo encontrá-lo?)»