DELITO há dez anos

Helena Sacadura Cabral: «Acabara de ouvir na televisão e ainda acreditei que não fosse verdade. Mas era. Eu própria confirmei, quando resolvi pedir um recibo com número de contribuinte relativo à importância despendida no passe dos transportes. Na bilheteira aonde fui, disseram-me que me teria de deslocar ao Marquês de Pombal ou ao Campo Pequeno, nos próximos cinco dias, para o obter. Perante a minha indignação explicaram-me que o sistema informático estava envelhecido e as máquinas, com a introdução do IVA, não podiam ser reprogramadas. Tive um acesso de fúria - eu que até sou serena - e perguntei como é que era possível o governo ter exigido a todos os comerciantes que o fizessem e fosse o primeiro a não cumprir a disposição e, por isso, a praticar uma ilegalidade. A senhora da bilheteira apenas dizia que me compreendia, mas não podia fazer nada.»

