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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 25.01.23

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José António Abreu: «Uff, acabou, não penso mais nisto. Considerem-se, como exemplo, quase todas as tarefas domésticas ou muitas das associadas a qualquer emprego. E, na maioria dos casos em que a solenidade inegavelmente existe – ao terminar algo para que se fica um instante a olhar com orgulho, até uma pitada de estranheza por se ter conseguido chegar a bom porto –, não será ela efémera, depressa substituída por embaraço? Não, afinal ainda não estava pronto, podia ter feito melhor. No fundo, não deverá a solenidade ser conferida por (e lida nos olhos ou escutada nas palavras de) quem, não tendo feito, avalia o trabalho (e – muito importante – se respeita)? Por outras palavras: durante quanto tempo terá Virginia Woolf olhado para a versão final de To the Lighthouse com a solenidade com que eu ainda olho?»

 

Laura Ramos: «Há gente que não perde tempo com guerras de final previsível, travadas com armas desiguais contra carrascos de cara tapada, manejando forcas feitas com o fio do cinismo. Paulo Júlio é desses empreendedores que não alinha em jogos florais entretecidos de calúnia. E tem a impaciência típica das pessoas eficientes. Foi à sua vida? Pior para nós, que adoramos palha.»

 

Luís Menezes Leitão: «Depois de um relatório do FMI chamado Rethinking the State, que era uma fraude monumental, surge agora outro relatório disparatado intitulado Pensar o Futuro. Parece-me sinceramente que este Governo anda a fundir os fusíveis com tantos relatórios sobre pensar e repensar, de que só chegam ao público as versões autorizadas. Quando acabar o mandato, terá produzido um monte de papéis inúteis sem ter feito uma única reforma que se visse.»