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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 06.12.22

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Ivone Mendes da Silva: «Margarida não hostiliza, porém não se entrega. Nemésio desencrava-a do real como ela desencrava as esmeraldas que lhe colocaram a contragosto no anel da avó Margarida Terra. E lança-o ao mar, serpente cega de novo, da amurada do capítulo final, boina de viagem sobre os cabelos enrolados, essa é a tragédia da personagem depois do casamento com os barões da Urzelina, que é como quem diz com André Barreto: Margarida acerta-se com o passado, com a insatisfação, com o desejo de fuga. Como no início do romance, não vai triste nem alegre, vai embrulhada no casaco castanho. É a tragédia da resignação, quando os sonhos não têm mais por onde arder. Tédio, pois claro. «Margarida não hostiliza, porém não se entrega. Nemésio desencrava-a do real como ela desencrava as esmeraldas que lhe colocaram a contragosto no anel da avó Margarida Terra. E lança-o ao mar, serpente cega de novo, da amurada do capítulo final, boina de viagem sobre os cabelos enrolados, essa é a tragédia da personagem depois do casamento com os barões da Urzelina, que é como quem diz com André Barreto: Margarida acerta-se com o passado, com a insatisfação, com o desejo de fuga. Como no início do romance, não vai triste nem alegre, vai embrulhada no casaco castanho. É a tragédia da resignação, quando os sonhos não têm mais por onde arder. Tédio, pois claro.»

 

José António Abreu: «Dezassete meses após a tomada de posse do governo, o (mui tímido) projecto de lei da redefinição do mapa autárquico é discutido hoje no Parlamento. Já as mudanças na RTP parecem ter hibernado com a chegada do frio. Torna-se, pois, oficial: Miguel Relvas demora mais tempo a implementar as reformas que tem a seu cargo do que demorou a licenciar-se. Mas os efeitos práticos deverão ser os mesmos: simbólicos, acima de tudo.»

 

Patrícia Reis: «A crise é viajar pela cidade de Lisboa e ver cartazes a dizer: arrenda-se, vende-se, trespasse. A crise é ver o número de sem abrigos na Gare do Oriente a crescer. A crise é uma chamada para os bombeiros quando um velho só quer dois dedos de conversa. A crise é não saber como explicar que sim, são restos outra vez. A crise é ver o fundo do armário. A crise é ver os computadores vazios de coisas.»