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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 25.09.22

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José António Abreu: «Há uns meses, revelando insuperável consciência social (digna, afinal, desse anjo chamado Steve Jobs que, nos tempos de desenvolvimento do Macintosh, perante o cansaço dos trabalhadores, mandou distribuir t-shirts com a frase Working 90 Hours a Week and Loving It), a Apple assegurou que os erros do passado seriam corrigidos e que nenhum trabalhador chinês teria de trabalhar mais de 60 horas por semana. Com as encomendas do novo iPhone precisando de ser satisfeitas, é duvidoso que mesmo tão simpático valor esteja a ser cumprido.»

 

Luís Menezes Leitão: «Confesso que quando ouvi esta homenagem de Miguel Macedo aos trabalhadores, empresários, agricultores e comerciantes deste país, só me lembrou foi outra fábula: a da raposa que se põe a gabar as lindas penas do corvo, na esperança de que ele deixe cair o queijo.»

 

Rui Rocha: «Se nas sessões seguintes não analisarem uma colectânea de Fábulas de Esopo, a jogabilidade do Fifa 2013 e a edição electrónica do Borda d' Água, nem são homens nem são nada.»

 

Eu: «Os protestos são, portanto, não apenas legítimos mas podem até constituir um imperativo de cidadania. O que não nos deve fazer esquecer esta evidência: com todos os seus defeitos, a democracia representativa é o sistema que assegurou períodos mais longos de paz e prosperidade nas sociedades humanas. Criticá-la nas suas debilidades, nas suas perversões e nos seus erros é um direito e em certos casos até um dever. Mas atacá-la nos seus fundamentos, rejeitando o sistema de representação 'um homem, um voto' e contestando os deputados enquanto legítimos representantes da soberania popular, é totalmente inaceitável.»