Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 28.09.22

21523202_SMAuI.jpeg

 

Fernando Sousa: «Miguel Oliveira da Silva é bem um artista português! Palmas! Quando sair do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida tem emprego assegurado.»

 

José António Abreu: «Rogério Casanova disseca e destroça (embora, considerando o tema do livro, talvez palavras como «espanca» ou «açoita» viessem mais a propósito) o grande êxito «literário» do ano: As 50 Sombras de Grey, de E. L. James. Dirão os mais discernentes (outro adjectivo, mas admitam que pouco usado): ora, tratando-se de um livro inspirado na série Twilight, só que em pior (!), também não é difícil. Permito-me discordar: é; como Casanova o faz, é bastante difícil, para além de diabolicamente divertido.»

 

José Gomes André: «Cherrypicking: é como os americanos chamam ao acto de seleccionar, a partir de um conjunto muito variado, uma sondagem particular favorável ao nosso argumento ou interesse. Assim como, perante uma taça com muitas cerejas, escolhemos as mais apetitosas. O resultado daquele acto é, naturalmente, pouco científico, impedindo uma análise racional sobre a tendência de um determinado evento político. A cobertura da eleição presidencial americana tem sido marcada por actos constantes de cherrypicking

 

José Navarro de Andrade: «Um blog é o lugar ideal para se fazerem afirmações imprudentes, como por exemplo: Chinua Achebe é o maior escritor africano. O pedestal conquistou-o ele logo com a sua primeira novela “Things Fall Apart”, publicada em 1958 e que marca o início de uma literatura africana desprendida de referências europeias. Talvez os francófonos tenham como contestar esta afirmação, os lusófonos por certo que serão incapazes de a rebater.»

 

Laura Ramos: «Parar para pensar. Ler as fontes. E não as notícias das notícias das notícias. Exigir qualidade à nossa indignação. Avaliar com a própria cabeça. Lembrar Pavlov.»

 

Patrícia Reis: «Ando há dias a pensar que deveria aceitar, de forma pacífica e sem temor, a sugestão da minha mãe - que tem anos - de viver sem expectativas. Se conseguir atingir tão grande proeza tudo será mais fácil, diz ela, dizem outros. Pode ser que sim. A verdade é que o tempo passa e o cansaço de ser o que se é neste país vai moendo. Não sou pessimista por natureza. Nunca fui. Hoje já não consigo ser optimista. Vejo as notícias pela manhã e tenho vontade de voltar para a cama.»