DELITO há dez anos

Ana Lima: «Porque vivia ali perto, o Estádio Nacional faz parte da minha história. Com o meu pai ia assistir aos campeonatos de atletismo, ver o ténis, passear; os parques de estacionamento eram sítios ideais para os pais ensinarem os filhos a conduzir e, tantas vezes, ao domingo, após a praia, estavam cheios de famílias que ali comiam e ficavam a dormir a sesta, a ler, a jogar. Sei que essas utilizações são discutíveis e, ao longo dos anos, o complexo do Jamor foi-se dedicando, cada vez mais, estritamente, ao desporto.»
Ana Margarida Craveiro: «Em Portugal nascem poucas crianças. É um facto incontestado. Se nascem poucas crianças, há poucas crianças na escola. À medida que progridem no nível de ensino, algumas, de entre as poucas que nascem, vão desistindo de estudar. É assim tão descabido, então, dizer que o número de professores está desajustado? Com uma taxa de natalidade decrescente, de ano para ano, é normal que muitos professores deixem de ter trabalho: se o seu trabalho consistia em ensinar alunos, e estes não existem, têm de procurar novo trabalho.»
José Navarro de Andrade: «O Verão de 1975, o mais belo dos verões para quem alguma vez teve 16 anos. Há lá simbiose mais feliz do que um país parvo como um adolescente, às mãos de um adolescente esparvoado com os avatares revolucionários, por esses dias despejados em Lisboa.»
Luís Menezes Leitão: «Não há nada pior para um Governo do que tentar enganar as pessoas. Este ataque constante aos funcionários públicos, que agora é estendido aos trabalhadores do sector privado, aliviando a carga fiscal sobre os empresários, só tem uma justificação ideológica. Economicamente já vimos que este programa de ajustamento só agrava a recessão. (...) Um Governo de mentirosos que é fraco com os fortes e forte com os fracos é seguramente um Governo que o país dispensa.»
Rui Rocha: «É evidente que o critério demográfico não pode ser o único nem o principal factor a determinar o contingente de professores necessário. Por absurdo, ainda que tivéssemos uma demografia pujante, o número de professores indispensáveis ao funcionamento do sistema seria muito reduzido se a oferta de ensino público fosse fixada em apenas 4 anos de escolaridade obrigatória. A pergunta essencial dirige-se, portanto, ao conteúdo dessa oferta.»
