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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 26.06.22

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Ana Cláudia Vicente: «Podemos não ter ficado tristes com a saída de Inglaterra do Euro 2012, mas Scott Parker, o mais trim and dapper deles todos, deixa saudades. Sniff. Ei-zi-o aqui a dizer farewell - confio que, em estrita observância ao velho Tratado de Windsor (ou, como disse em tempos uma aluna minha, ao «Tratado de Whiskas») - à Selecção Espanhola.»

 

João Campos: «Sempre gostei muito de animais. Em miúdo, a televisão da sala era religiosamente sintonizada na SIC, aos fins de semana, entre o meio-dia e a uma, para ver os documentários de vida selvagem da National Geographic e da BBC (ainda hoje sou capaz de passar horas em frente ao NatGeoWild). Para um miúdo que gosta de animais, crescer no campo é uma maravilha - qualquer bicharoco serve para quebrar a monotonia das longas férias de Verão. Sapos e rãs, cobras e lagartos, toda a fauna das margens do Mira servia de pretexto para tardes muito bem passadas.»

 

José Navarro de Andrade: «Nos dias de hoje o comunismo tem, como se sabe, três capitais: Pyongyang, Havana e Berkeley. Esta última não aparece representada com barraquinha de estado na festa do Avante! porque é uma anedota contada pelas preconceituosas elites de Washington, Nova Iorque e até de Los Angeles, que em snobismo não fica atrás de ninguém. Em compensação na festa do Orgão Central há-de estar presente a RPChina, a qual é comunista retinta da bandeira para cima, milenarmente imperial ao nível do Comité Central e capitalista em versão hardcore daí para baixo

 

Leonor Barros: «Eram 9.00 horas, deu o toque final e centenas de alunos entraram para mais uma aventura no maravilhoso mundo dos exames nacionais. Estranho é como Isabel Alçada ainda não se inspirou nesta verdadeira epopeia a que nos sujeitam a todos com ares de distribuir competência e rigor.»

 

Luís Menezes Leitão: «O Rui Rocha já tinha aqui chamado a atenção para o facto de que o Ministro das Finanças grego tinha um nome assustador: o Rapanos, ou seja, Rapa-nos. Mas o novo Ministro das Finanças grego tem um nome que nos tranquiliza bastante mais: é o Stournaros, ou seja, Estorna-nos. Cá em Portugal não podemos candidatar-nos também a um novo Ministro das Finanças que nos estorne o que o actual nos tirou?»

 

Rui Rocha: «Sim. Temos Ronaldo, Nani, Pepe e os outros todos. Incluindo nestes, aqui a pedido expresso de A Bola, o Nélson Oliveira. Todavia, sinto que nos falta qualquer coisa. E não, não me refiro ao Postiga. Não quero com isto diminuir o valor dos bravos rapazes que enfrentarão a armada espanhola, também dita invencível. Recorde-se, a propósito ou não, que disseram exactamente o mesmo da frota organizada por Felipe II  (para nós o primeiro e a contragosto) e da bolha do imobiliário. E foi o que se viu.  Da mesma maneira, longe de mim a intenção de apoucar a mestria táctica de Paulo Bento. A que chamam também rei do losango.»

 

Eu: «Nunca li nada do escritor francês Antoine Volodine. Mas vou comprar o mais recente livro dele editado em Portugal, intitulado Macau. Por vários motivos, o primeiro dos quais devido à seguinte nota aos leitores incluída na obra pela editora Sextante: "Por decisão do autor, o presente livro não segue o novo Acordo Ortográfico". Soube disto pelo José Mário Silva, que justamente sublinha: "Não deixa de ser extraordinário que um autor de língua francesa seja mais aguerrido na defesa das nossas consoantes mudas do que muitos escritores portugueses, indiferentes ou cúmplices perante as amputações e alterações absurdas à grafia da língua." Um caso exemplar.»