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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 20.05.22

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Ana Margarida Craveiro: «Pouco tenho lido de jornais e afins. O meu Google Reader também costuma ser brindado com um "mark all as read", que um dia dos meus parece que tem uma hora para fazer tudo e ainda uns trocos. Uma coisa é certa: pedidos de desculpa implicam uma assunção de culpas. E, a ser verdade o que estava na última página do Expresso, parece-me claramente insuficiente. Explosões todos temos, mas há quem não as possa ter, em virtude do cargo que ocupa. Tão simples quanto isto.»

 

Cláudia Köver: «Se eu fosse só uma, como poderia contar comigo mesma? Terei todo um universo no meu interior? engolido à nascença por inteiro ou que se move e cresce sem aviso?»

 

Helena Sacadura Cabral: «Não sou porta-voz do Banco, nem ninguém me encarregou de tal tarefa. Mas enquanto antiga trabalhadora julgo ser meu dever fazer esta clarificação.»

 

Ivone Mendes da Silva: «Quando encontrei a minha costureira, pedi-lhe um casaco comprido de Verão. Ela compreendeu-me e Deus ma conserve, até porque, hoje em dia, pouco trabalho lhe dou. Para não a cansar, claro. Fez-me muitos casacos compridos de Verão. Usava-os por cima de um vestido, a deixar ver um pouco da saia, e sentia-me tão habillée; outras vezes, vestia-os sobre umas calças e uma camisa atada na cintura e sentia-me feliz. Ando a precisar de um casaco comprido de Verão.»

 

José António Abreu: «Por que vão as mulheres juntas à casa de banho?»

 

Laura Ramos: «Gosto de cartas... Escrevi e recebi tantas que, quando as reencontro, percebo que são documentos únicos que jamais serei capaz de repetir, agora que, há tantos anos, a electrónica tomou conta de mim e dos meus correspondentes.»

 

Leonor Barros: «Noventa minutos, uma bola, onze jogadores para cada lado abraçados por uma multidão em júbilo, uma massa exultante que se vai dividindo e esmorecendo, enquanto o tempo decorre e na proporção dos golos metidos nas respectivas balizas. Um balneário vedado aos demais e onde, ao que parece, acontece muito mais do que uma troca de roupa e massagens nos gémeos. E é isto. O futebol para mim é isto. Há contudo variáveis a incluir: se os jogadores são giros e morenos, pode abrir-se uma excepção para alguns louros, ostentam um belo par de pernas e um torso de fazer ruborizar a mais benta das mulheres.»

 

Luís M. Jorge: «Mário Crespo inaugurou outra campanha temerária contra a "asfixia democrática". Alguns blogues da direita, liderando pelo exemplo, organizaram manifestações à porta da Assembleia a que compareceram dezenas de cidadãos indignados. Rodrigo Moita de Deus vestiu-se de palhaço e fez marketing de guerrilha na Sant'Ana à Lapa.»

 

Teresa Ribeiro: «Há vozes desagradáveis, ridículas, envolventes, profundas, suaves, cuja marca influencia a forma como avaliamos os seus portadores. Imaginem o John Wayne com a voz tensa do Humphrey Bogart e algo de fundamental se perderia na composição do bom gigante. Jamais a Marlene Dietrich faria uma femme fatale convincente se tivesse o instrumento vocal da Melanie Griffith.»

 

Eu: «Dizer que o Chelsea "foi feliz" é o mesmo que dizer que jogou de azul. Um lugar-comum idêntico a tantos outros. Uma "explicação" que nada explica. Uma frase nada feliz.»