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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 14.05.22

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Adolfo Mesquita Nunes: «A traição não nos acontece. Nós é que a chamamos, primeiro ao de leve, como quem finge que não quer, depois quase aos berros, como quem finge que resiste. Ainda que dependa da oportunidade, a traição é sempre um exercício de vontade. É por isso que, nesse momento em que nos sabemos presos, apenas nos resta abraçar a liberdade do arrependimento. Só ele respeita a traição enquanto aquilo que ela é: uma opção.»

 

Helena Sacadura Cabral: «Este ano a Feira do Livro ajudou-me muito a voltar ao mundo real, apesar de ter sido muito estafante devido ao calor. Mas recebi tanto, mas tanto, carinho das pessoas que me procuraram, que não tenho o direito de me queixar. Foram esses abraços carinhosos, esses beijos sentidos que me devolveram a uma certa forma de vida quotidiana.»

 

José Maria Gui Pimentel: «Quem tem fome não vota em partidos de protesto, vota em partidos de acção.»

 

José Navarro de Andrade: «Para estes eméritos juristas a qualidade de uma legislação afere-se em abstracto. A lei é em si mesmo de uma bondade inapelável, o problema é essa coisa abjecta e contingente chamada realidade à qual ela, desgraçadamente, se vê obrigada a descer. A santidade intrínseca da lei é conspurcada pela malvadez inata dos homens.»

 

Leonor Barros: «Este primeiro-ministro conseguiu um feito único: ser o primeiro-ministro mais vaiado em menos tempo de governação e digamos que em termos de comunicação difícil é pior. Alguém que o aconselhe que o rapaz anda desgovernado. Como nós, de resto.»

 

Luís M. Jorge: «As caixas de comentários dos grandes blogs colectivos recordam-me sempre uma boutade do Eça de Queirós em que se explicava a alguém que nos bordéis de Lisboa todas as meninas eram miguelistas.»

 

Rui Rocha: «António Seguro garante que é a cara do emprego. Isto preocupa-me. Confesso que vi o emprego poucas vezes. E há muito tempo. Mas estava capaz de jurar que tinha um aspecto muitíssimo diferente. Por isso, das duas uma. Ou sou mesmo um péssimo fisionomista e não o consigo reconhecer quando dou de caras com ele, ou Seguro não se tem visto ao espelho. Nenhuma das alternativas é, convenhamos, muito agradável. Em todo o caso, uma coisa é certa. Se Seguro tiver razão, está na cara que se trata de emprego precário.»

 

Eu: «Para um democrata, nunca é de mais sublinhar a importância destas rotações de poder ditadas pela soberania do voto popular. Num continente onde crescem de modo alarmante as forças extremistas "anti-sistémicas", indiferentes às lições da História bem evidenciadas nas décadas de 20 e 30 do século passado, um democrata convicto tem o dever cívico de proclamar esta sua condição. Que implica a aceitação dos resultados eleitorais, sejam eles quais forem. O exercício do direito de voto torna as sociedades mais fortes contra as investidas de todos quantos pretendem suprimi-lo invocando para esse efeito palavras tão apelativas e tão manipuláveis como povo, pátria, nação ou classe

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