DELITO há dez anos

Ana Vidal: «Se a Última Ceia - o encontro por excelência, fulcral na história da humanidade - não tivesse tanta força e tanto poder simbólico, passaria despercebida e ninguém quereria imitá-la ou apoderar-se dela. Tanto interesse só pode significar admiração, logo, elogio. Afinal, Jesus Cristo pode ser visto como o maior de todos os super-heróis do nosso imaginário.»
Fernando Sousa: «Páscoa para mim era quando ainda não havia a morte. Depois a gaja veio, varreu-me a mesa, comeu-me as amêndoas, e fiquei pouco. Mas a seguir vieram filhos e ela voltou. Páscoa é isso: o que se refaz. E isso é bom.»
José Navarro de Andrade: «As performances, é da sua natureza serem epidérmicas, meros fenómenos dos quais sobram não mais do que vestígios. Se é próprio da arte “ficar”, as performances contestam-no, provocando uma arte que não quer resistir ao tempo. Seria preciso ter estado lá para viver o acontecimento. Doutro modo só nos resta dar conta dele e percebê-lo, o que se verifica como manifestamente empobrecedor. Entender as coisas é sempre menos do que as próprias coisas; uma noção que talvez fizesse falta insistir nos tempos actuais.»
Patrícia Reis: «A mãe nunca aprovara, mas agora pouco importa, nunca foi capaz de fazer nada baixinho, de dizer ou pensar e não seria, decerto, agora que iria começar nessa árdua tarefa de não perturbar o mundo, de ser como os demais.»
