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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 28.01.22

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Ana Lima: «Daqui a algum tempo, a restauração da independência ou a implantação da república serão esquecidas para serem apenas mais umas datas nos manuais. E a culpa será de uma conjuntura económica particular, de três organizações exteriores e de um governo que certamente, à semelhança de outros, não ficará para a História.»

 

João Carvalho: «Para ultrapassar as chatices das restrições salariais impostas pela austeridade que nos afecta, a Caixa Geral de Depósitos já resolveu o problema: vai promover o pessoal que trabalha lá dentro. Tudo legal, portanto. Só precisamos agora que a famigerada Troika nos faça o mesmo. Portugal está de rastos? Muito bem, mas que tal promover os portugueses a alemães, por exemplo, até ver se a coisa passa?»

 

Leonor Barros: «Neste país ninguém se demite por faltar à sua palavra e mentir vilmente aos portugueses. Deve ser o fado. Admitamos a nossa condição de enganados ou façamos como na Islândia e metamo-los dentro. Diz que o país prospera agora.»

 

Luís Menezes Leitão: «A Grécia vai transformar-se num protectorado alemão e provavelmente Portugal terá  já a seguir o mesmo destino. Nem de propósito o Governo anuncia de imediato a supressão dos feriados que festejam a restauração da independência do país e o regime republicano. De facto neste momento Portugal já não é um país independente e nem sequer merece o nome de república. Mas não deixa de ser estranho que o Governo do nosso país o assuma tão claramente.»

 

Rui Rocha: «A propósito do episódio da alteração do apelido do líder cessante da CGTP no ticker das notícias da SIC, os comentadores mais entendidos nestas matérias salientaram exclusivamente a importância do "v". Defenderam todos eles que a ausência da dita consoante seria decisiva na deturpação do sentido da palavra. Por acaso, não concordo. Procurarei concretizar o que pretendo afirmar através de um exemplo. Tomemos o apelido Silva. Façamos cair o "v". Fica Sila, certo? Pois é. Não fica nada de especial. Ora exactamente o mesmo se passa em Carvalho.»

 

Eu: «Para Graham Greene (1904-91), a vida humana dividia-se em duas etapas essenciais: a "idade da confiança" e a "idade do cinismo". O grande escritor britânico havia entrado já nesta última fase quando decidiu entregar-se à arte do conto, que sempre desdenhara até então, praticando-a com sofisticada ironia, como exímio herdeiro de um Oscar Wilde. Daí nasceu uma das suas mais singulares obras de ficção: May we borrow your husband? (1967), que tem como subtítulo "and other comedies of the sexual life". Para trás ficara a etapa dos excelentes romances em que o Greene da "idade da confiança" nos legou títulos inesquecíveis como O Poder e a GlóriaO Fim da Aventura e O Nó do Problema

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