Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 09.12.21

21523202_SMAuI.jpeg

 

Adolfo Mesquita Nunes: «Provavelmente todas as gerações se sentem cobaias. Não sei, no entanto, se conseguem, como a minha geração consegue, identificar com precisão quem as sujeitou a experimentalismos.»

 

João Carvalho: «— Mostra-te confiante, Ângela. Não podes parecer tão calvinista. Tens de sorrir mais quando estão a olhar.»

 

Laura Ramos: «Ontem, por mera coincidência na véspera da Cimeira de Bruxelas e do ajuste sobre o futuro financeiro da UE, fui ouvir Eduardo Lourenço numa conferência ao pé da porta. Não sei se me irei lembrar muito deste dia (será um mau sinal). Ou se irei esquecê-lo, porque o filósofo tinha razão. Seja como for, que bom é distanciar-nos das tecnicalities do euro e dos mercados e, sem deixar de lhes reconhecer a diabólica responsabilidade, voltar a pensar na Europa como Victor Hugo, Dellors ou Otto de Habsburgo: um compromisso possível de unidade. Recentrando a questão nos seus alicerces, que sempre foram, apenas, a nossa vontade colectiva.»

 

Luís M. Jorge: «Para alguma coisa há-de servir lermos Júlio Dinis: sempre nos dá um retrato do Portugal caciqueiro, sabujo e vil que antes de gritar merda repara no lado de que a merda vem.»

 

Rui Rocha: «José Sócrates, Director Comercial da Remax Champ de Mars, confirmou a venda da Torre Eiffel a dois turistas provenientes da cidade chinesa de Guangzhou.»

 

Teresa Ribeiro: «Das lutas laborais da maioria dos trabalhadores ninguém quer saber, mas quando são os dos transportes que fazem greve, o país pára, escuta e olha. Os trabalhadores deste sector habituaram-se a pôr Portugal suspenso das suas reivindicações, a abrir os telejornais, a semear o caos. Nos braços de ferro com as administrações das EPs onde trabalham, acostumaram-se a usar como factor de pressão o desnorte da população que deixaram apeada. Este poder negocial é um luxo. Constitui uma enorme vantagem sobre todos os outros trabalhadores. Devia haver formas de o neutralizar, não só porque deixa estes trabalhadores em situação negocial privilegiada sobre todos os outros, mas também porque pode evoluir para um jogo perverso.»

 

Eu: «É sempre muito estimulante escutar a voz do "povo" nas emissões televisivas. Hoje, particularmente, tornou-se incontornável -- como agora se diz -- saber o que a vox populi tuga tinha a perorar sobre a cimeira europeia. O resultado não podia ser mais edificante. Como sempre sucede nestas circunstâncias, fiquei mais sábio ao fim de uma hora de emissão recheada de judiciosas opiniões de telespectadores na SIC Notícias -- o canal que esta tarde escolhi para o efeito.»