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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 02.12.21

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Adolfo Mesquita Nunes: «Cheguei atrasado ao fado, um pouco como quem se encontra na religião depois de a ter negado. Não dou grande importância ao atraso, até porque permitiu a boa sofreguidão na descoberta, mas não o nego. Não entendo por isso aqueles que, de uma década para a outra, fingem nunca ter desdenhado a coisa. E desdenhado é favor, que houve quem fosse saneado ou esconjurado ou relegado só por, na linguagem de agora, ter dado voz ao sentir português.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Há qualquer coisa de muito errado num país onde o homicídio é um crime que pode prescrever.»

 

Cláudia Köver: «"I wanna be your man" é o single de estreia de Willy Moon, artista natural da Nova Zelândia. Nascido em 1989 (!), mudou-se para Berlim aos 18 anos de idade e, em julho de 2011, preencheu a edição nº1059 da crónica "New band of the day" do "The Guardian". Actualmente Willy Moon passeia-se pelas ruas de Londres e, incansavelmente, pelos meus ouvidos. Enjoy!»

 

João Carvalho: «O transporte de gado deve ser devidamente assinalado. O tamanho também deve estar adaptado a cada caso, porque há vacas de vários tamanhos...»

 

Laura Ramos: «Eis um casamento rato e não consumado. Já ninguém sabe o que isto é? Eu explico: a Santa Sé pode a todo o tempo declarar a nulidade desta união. Aliás, com base na acumulação de dois dos poucos motivos que dão, mesmo isoladamente, causa de vencedor: a) eles não se abandonaram aos prazeres da carne; b) eles provocaram a dissipação financeira do património familiar. Eis um casamento rato e não consumado. Já ninguém sabe o que isto é? Eu explico: a Santa Sé pode a todo o tempo declarar a nulidade desta união. Aliás, com base na acumulação de dois dos poucos motivos que dão, mesmo isoladamente, causa de vencedor: a) eles não se abandonaram aos prazeres da carne; b) eles provocaram a dissipação financeira do património familiar.»

 

Luís M. Jorge: «A notícia de que Paulo Portas perdoou 189 milhões de euros em investimentos a uma empresa fornecedora de veículos militares. O caso é fascinante porque foi manchete no Diário de Notícias esta semana, borbulhou no pântano e desapareceu sem rasto. O ministro cala-se como de costume, enquanto a opinião esclarecida se ocupa da licenciatura de Sócrates ou do tipo que trocou a Vespa pelo Mercedes.»

 

Luís Menezes Leitão: «Gosto de ler biografias de personagens históricas. A História que aprendi no Liceu baseava-se na escola dos Annales,  consistente apenas no estudo da evolução económica, deixando completamente de fora as pessoas, e portanto a vida. As biografias permitem suprir essa lacuna, transmitindo-nos a vida das pessoas que modificaram a história do mundo.»

 

Patrícia Reis: «Tatiana Salem Levy é uma jovem autora brasileira, nasceu em 1979. Li o primeiro romance - A chave de casa - e agora estou a terminar este: Dois Rios. É uma leitura sincopada, como uma música quase repetitiva (no melhor dos sentidos), com um ritmo muito bom e extremamente bem escrita. Relata o encontro de Joana com Marie-Ange, uma brasileira a viver com a mãe, uma francesa de visita ao Rio de Janeiro. Uma das raridades da literatura, diria, é conseguir encontrar uma voz que se possa distinguir das demais. Tatiana Salem Levy consegue isso com uma escrita singular, envolvendo-nos numa história de amor, de culpa, de alguma loucura, de segredos, encontros e desencontros.»

 

Rui Rocha: «Tozé Seguro garante que os desentendimentos ocorridos na bancada parlamentar do PS durante a votação do Orçamento foram provocados por agentes infiltrados.»

 

Teresa Ribeiro: «Como é que um indivíduo que fez parte de quatro governos tem lata para vir agora censurar a falta de coragem que se verificou ao longo de anos para se resolver o problema do sector público dos transportes?»