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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 27.10.21

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Fernando Sousa: «Contra o stress de guerra tínhamos as nossas receitas. Uma madrugada desviámos um jipe do parque auto militar, passámos pela manutenção, pedimos ao sentinela para assobiar para o lado, levámos a comida que pudemos e rumámos para a Ilha de Moçambique. A ideia inicial era irmos caçar felinos, mas alguém com mais bom senso aconselhou esta. Já no destino, depois de uns banhos de mar, uma visita à mesquita e outra ao forte, pôs-se a questão onde dormir. Um dos nossos sugeriu o hospital militar.»

 

João Carvalho: «Num país em que há novos estádios de futebol abandonados, autoestradas às moscas, pavilhões multiusos sem uso, piscinas que só são depósitos de água, centros culturais para receber as rutes-marlenes no Verão, etc., é um alívio saber que a cidade judiciária há-de ter tribunais. Quero lembrar-vos que La Palisse e o Conselheiro Acácio nunca se enganaram.»

 

Luís M. Jorge: «Foi o pior dos tempos, foram tempos do pior. Numa rua calma, o engenheiro Armando erguia uma beata da borda de um canteiro quando se deixou sobressaltar pela voz do Albertino, velho camarada do Técnico.»

 

Luís Menezes Leitão: «O chanceler alemão Otto von Bismarck dizia que a política é a arte do possível (Politik ist die Kunst des Möglichen). Os nossos governantes resolveram, porém, adoptar uma nova  versão: a de que a política é a arte do inevitável. Efectivamente, a única coisa que o primeiro-ministro diz é que as medidas são inevitáveis e que não se pode tomar outras. Isto independentemente da injustiça brutal que as caracteriza e que toda a gente reconhece e até mesmo da sua total inconstitucionalidade.»