Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 23.10.21

21523202_SMAuI.jpeg

 

Fernando Sousa«Esta manhã acompanhei uma gaivota numa brisa. Eram aí umas oito e meia. Deixou-se ir com uma determinação e graça que me lembrou Violeta Parra. A alma vai para onde quer se não chatearmos. "La canción es un pájaro sin plan de vuelo que jamás volará en línea recta. Odia las matemáticas, ama los remolinos”. Foi um momento sem sobras, dois dias depois de ter visto “Violeta se fue a los cielos” (Andrés Wood), lançado em Agosto, no Chile, e passado agora em Lisboa numa sessão privada a que assisti ao lado de Ângel Parra. Há que olhar para os pássaros. Os bons voos não vão em rectas.»

 

Ivone Mendes da Silva: «A minha linha de pensamento é a do pessimismo moderado. Eu diria, até, bastante moderado. Acontece que uma tremenda constipação, ou gripe ou qualquer coisa do género, vem sempre acentuar, com escuro e sombra, a minha weltanschauung

 

João Carvalho: «O presidente da câmara de Torres Novas, o socialista António Rodrigues, vai voltar a ter carro de serviço. É uma pena que esta excepção não seja a regra geral, como devia ser. Só a tristíssima realidade em que andamos a viver justifica o realce deste caso, que contrasta com as permanentes escandaleiras que nos consomem.»

 

Laura Ramos: «O que o filme de Woody Allen tem de genuíno é mostrar Paris como ela é, exactamente: a calçada que pisamos, com os pés bem assentes na terra; e a permanente passagem à estratosfera, através da viagem mental, dos laços culturais (literários, artísticos e lúdicos, sobretudo lúdicos) que nos impelem até à ilusão da proximidade física com os nossos anjos ou os nossos agradáveis demónios, conforme preferirem.»

 

Rui Rocha: «[Castração química:] Sim, sou a favor em casos como este. E só mais uma coisa. Não há processo, moldura penal ou enquadramento jurídico que possa justificar que um filho da puta deste calibre permaneça em liberdade.»

 

Teresa Ribeiro: «Vou ali beber uma água das pedras e já volto. Com licença.»

 

Eu: «Mariano Rajoy, o mais que provável futuro primeiro-ministro espanhol, anda a receber aulas intensivas de inglês. Para evitar a repetição das figuras lamentáveis da alguns chefes do Governo que se sucederam no palacete da Moncloa nos últimos 35 anos. Adolfo Suárez e o primeiro-ministro cessante, José Luis Rodríguez Zapatero, nunca falaram outro idioma além do castelhano. Felipe González e José María Aznar, fluentes em francês, desconheciam no entanto a língua inglesa enquanto exerceram as funções de primeiro-ministro (uma lacuna que Aznar já teve ocasião de corrigir).»