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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 14.10.21

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Laura Ramos: «Na verdade, ninguém está verdadeiramente interessado em saber porque é que os funcionários públicos são tidos pelo que são. Se estivermos em dia sim e tomados de complacência, vemo-los como uns pobres diabos. São aqueles cromos queirosianos de sempre, alheados de qualquer chama, brio ou ambição. Uns mangas-de-alpaca empedernidos e previsíveis, tecnicamente desclassificados e com cara de fraco ordenado (que em absoluto merecem). Mas se estivermos em dia não e tomados pelos azeites, o julgamento enfurece-se e vêmo-los com as cores fortes de uma caricatura de Bordalo.»

 

Luís Menezes Leitão: «Como não poderia deixar de ser, são naturalmente a Alemanha e a Comissão Europeia que já as aplaudiram entusiasticamente. Os cidadãos portugueses podem suportar todos e quaisquer sacrifícios, que o Governo será absolutamente insensível. Só importa proteger os interesses dos nossos credores. Portugal vai continuar na direcção do abismo, mas o Governo prosseguirá alegremente nesse percurso, estimulado pelas palmadinhas nas costas que vai recebendo dos nossos parceiros europeus.»

 

Patrícia Reis: «António Saraiva lembra que a situação do sector privado não é comparável à do Estado, que está obrigado a cortar na despesa, e nem todas as empresas privadas estão em dificuldade, tendo muitas já aplicado planos de saneamento e reestruturação.»

 

Rui Rocha: «A responsabilização, criminal se for possível, dos irresponsáveis que nos trouxeram até aqui (Sócrates, Jardins, Paulos Campos, Constâncios e por aí fora) é essencial para que possamos olhar-nos ao espelho sem nos envergonharmos. Para o passado, o jogo de sociedade só pode chamar-se crime e castigo. Mas, o jogo do futuro chama-se verdade e consciência. Está nas mãos de Passos Coelho e joga-se no tabuleiro das Parcerias Público-Privadas.»

 

Teresa Ribeiro: «Houve tempos em que os meus rendimentos bastavam para pagar as minhas contas correntes, as férias, pequenos luxos (trapos, jantarinhos e coisas assim). Agora verifico que o meu dinheirinho começa a faltar para estas minudências, mas em contrapartida paga ordenados milionários, férias de sonho, juros de empréstimos bancários, frotas de luxo, telemóveis topo de gama e roupinhas fashion a muito boa gente. Ah, e também os cachets chorudos dos "analistas" que vão à RTP dizer que andei nestes últimos anos a viver acima das minhas possibilidades. Subir na vida deve ser isto.»