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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 13.10.21

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José António Abreu: «Quando uma empresa privada se encontra na falência, os funcionários dessa empresa sofrem. Quando um Estado se mostra incapaz de cumprir os seus compromissos financeiros, normalmente sofrem todos os cidadãos. Em parte, isto é compreensível: os trabalhadores do sector privado beneficiam de alguns serviços providenciados pelo sector público, sendo do seu interesse que eles se mantenham. Em parte, não é: uma parcela da população dispõe de garantias especiais, obtidas de forma coerciva.»

 

Luís Menezes Leitão: «O Governo decidiu seguir a via grega, repetindo medidas de austeridade sobre medidas de austeridade. Não há atitude mais irracional do que a de repetir sempre as mesmas medidas, na esperança de que algum vez conduzam a um resultado diferente. O resultado expectável e seguro disto é que daqui a um ano estaremos como na Grécia ou pior. E o meu receio não é que daqui resulte a queda do Governo. É que daqui resulte a destruição do país.»

 

Rui Rocha: «Num país em que o Estado está sem dinheiro para pagar salários, absolutamente dependente do financiamento estrangeiro, pretende-se investir exactamente o quê? E, já agora, não foi um certo tipo de investimento que, em boa parte, nos trouxe até aqui? O certo é que o dinheiro que temos não é nosso, é emprestado, e fazemos com ele o que nos mandam. Assim, o único investimento que pode chegar à nossa economia é o investimento directo estrangeiro.»

 

Teresa Ribeiro: «Na sua propaganda, o executivo gosta muito de falar de coragem ao anunciar as suas poupanças. Está no seu papel, mas eu não chamaria corajosas às reformas que se fazem sob coacção do exterior. Diminuir serviços, despedir pessoas, fechar empresas do Estado é consequência directa do cada vez mais polémico acordo que foi assinado com a troika. Só reconhecerei coragem a este governo se não se limitar a cumprir este caderno de encargos e ousar fazer as reformas para que os nossos amigos da UE se estão nas tintas, mas que são as únicas que poderão assegurar um futuro melhor a este país.»