DELITO há dez anos

Ana Vidal: «Não sei o que se passa com o jornal i. Folheei-o ontem e fiquei abismada com o mar de erros ortográficos e de sintaxe, gralhas, pontuação miserável e frases sem nexo. E tudo isto num só artigo de duas páginas, que mostra bem não ter sequer passado pelos olhos de um revisor. Dizem-me que o jornal vai acabar em breve. Não me lembro de que fosse tão mau da última vez que o li em papel, de onde deduzo que já está mesmo na recta final e ninguém se importa com a fama que deixa para trás. É pena.»
João Carvalho: «Gostei de perceber que a Fundação Mata do Buçaco ainda anda às voltas com eventuais projectos de financiamento próprio, sendo Portugal o único país do mundo em que há fundações que são criadas sem capital próprio para aplicar e multiplicar, as quais sobrevivem à custa do Orçamento do Estado, como é o caso da Fundação Mata do Buçaco.»
Rui Rocha: «As estimativas elaboradas pelo governo de Sócrates pecaram sempre por defeito. No caso do aeromorto de Beja, o número de passageiros previsto para 2009 era de 178.000 (cento e setenta e oito mil). Imagino-os, aos irresponsáveis pelos estudo de viabilidade, a discutir, noite dentro, o modelo de previsão e os seus resultados. 100.000 (cem mil) terá dito um. 200.000 (duzentos mil) terá gritado outro. Nem pensar, são 180.000 (cento e oitenta mil) ter-se-á indignado um terceiro.»
Teresa Ribeiro: «O doutor é o electricista que eu chamo a casa para pequenas reparações. É muito apessoado, o doutor, daí que lhe tenha posto esta alcunha. Sempre que lhe telefono faz-se rogado. Lembra-me que só aceita o serviço por ser para mim, porque a vida dele não é fazer biscates. Não precisa. O doutor ganha mais que muitos doutores, pois tem um bom emprego: trabalha como electricista no metro.»
