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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 17.08.21

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Ana Lima: «José Augusto Mourão morreu em Maio deste ano. Era dominicano, director do Instituto São Tomás de Aquino e professor na Universidade Nova de Lisboa, na área da Semiótica e da Linguística. Questões religiosas à parte, o que escreveu sobre comunicação deveria ser lido por todos os que se interessam pelo tema. O seu último livro, deste ano, editado pela Pedra Angular (que não li todo infelizmente) é Quem vigia o vento não semeia

 

João Campos: «Há três coisas que me ocorrem sempre que venho de férias a Tavira: 1) não sei porque estive tanto tempo sem cá vir; 2) podia perfeitamente viver aqui; 3) para a próxima, trago uma máquina fotográfica (não, a fotografia não é minha).»

 

Leonor Barros: «Não imagino sequer a angústia dos pais nesta altura do ano em que compram manuais escolares para os filhos. Com ordenados miseráveis quem tiver um filho estará nesta altura a braços com mais uma despesa de sensivelmente duzentos euros, cerca de metade do luxuoso ordenado mínimo neste país da treta. Se tiverem dois filhos, a quantia duplica, quase um ordenado mínimo portanto.»

 

Rui Rocha: «Estivemos ontem a minutos de Auschwitz. Hesitámos até ao último momento. Praticamente nos portões, decidimos não fazer a visita. Não com os meninos. A educação que lhes procuramos dar assenta na ideia de confiança nos sentimentos e nas intenções dos outros seres humanos. Sentimos que entrar ali lhes arrasaria qualquer ideia de confiança. Podemos tentar prepará-los para as dificuldades da vida. Mas ninguém é capaz de preparar os filhos para a barbárie.»

 

Teresa Ribeiro: «Com o aumento do custo de vida e da carga fiscal, quem auferir salários próximos da média nacional arrisca-se a ficar, depois de feitos os descontos, com um rendimento equivalente aos que são considerados oficialmente pobres. Mas com uma diferença: como não são reconhecidos pela máquina do Estado como pobres, estes contribuintes não beneficiarão dos descontos e isenções que vão contemplar unicamente os "mais carenciados", o que na prática significa que ficarão numa situação ainda mais vulnerável que a dos que têm direito a receber ajudas do Estado.»

 

Eu: «Raras vezes temos oportunidade de perceber o que um ditador contemporâneo verdadeiramente pensa da democracia. Em regra, impera o cinismo: estabelece-se a ditadura entre proclamações de suave apego aos valores democráticos. O Livro Verde de Muammar Kadhafi tem o mérito - que será, provavelmente, o único - de nos revelar um ditador que não reconhece nenhuma vantagem na democracia tal como a conhecemos em qualquer parte do mundo. E chega até ao requinte de anunciar que a democracia é a verdadeira ditadura, enquanto a ditadura dele é a verdadeira democracia. Eis-nos mergulhados num universo concentracionário, versão alternativa do 1984 de George Orwell com as suas palavras de ordem alucinadas: "Guerra é paz", "ignorância é força" e "liberdade é escravidão".»

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