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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 01.08.21

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Ana Vidal: «Tenho habitualmente dúvidas sobre se existe uma escrita "feminina" e outra "masculina", ainda que os próprios conceitos variem conforme o prisma. Mas quando, como hoje, leio belos textos claramente musculados como este, essas dúvidas diluem-se: António Lobo Antunes nunca poderia ser uma mulher. Não porque lhe falte sensibilidade, abrangência ou cor, mas porque tem uma inequívoca "andro-escrita" (às vezes dá-me jeito inventar palavras), que por sinal lhe fica muito bem.»

 

João Carvalho: «"Navio intacto mais antigo do mundo pode estar no fundo do Báltico". O título é do Público e indica que alguém anda atrás de um navio afundado muito antigo e ainda intacto, tendo sido agora possível perceber que existe a possibilidade de o tal barco estar no Mar Báltico. Certo? Errado. É exactamente ao contrário: foi descoberto um navio afundado no Mar Báltico e há indícios que apontam para a possibilidade de ser o barco mais antigo encontrado intacto. É exactamente ao contrário, mas há que saber escrever, antes de se saber titular.»

 

Patrícia Reis: «O mundo dos livros é um mundo estranho, cheio de compadrios, pátios, quintas, reentrâncias, códigos e ligações secretas. O mercado é mínimo, estamos em crise, os livros não vendem, os autores precisam de trabalhar.»

 

Rui Rocha: «Escrito em português escorreito, apresenta um olhar atento sobre os mais diversos temas da vida e não esconde o interesse pela análise de assuntos internacionais. Neste campo, adivinho-lhe uma atenção especial a África e uma preocupação genuína com questões humanitárias. Para além disso, e como se fosse pouco,  é uma fonte de informação privilegiada  sobre aqueles que, realmente, mandam nisto tudo: a Alemanha e a Sra. Merkel. Falo, naturalmente, do blogue da Domadora de Camaleões Helena Ferro de Gouveia onde podemos ainda  encontrar um olhar lúcido, só possível com um certo distanciamento, sobre o Portugal contemporâneo.»

 

Teresa Ribeiro: «Lembrei-me logo daquele telefonema. Do outro lado a minha colega soluçava, ainda em choque: "O médico disse-me que se tivesse passado mais um mês talvez fosse tarde". Referia-se a um melanoma que tinha acabado de extrair. Um sinal a que não dera qualquer importância até ao dia em que uma médica do IPO, que por acaso frequentava o mesmo ginásio, reparou nele e a aconselhou a ir, sem demora, a uma consulta. Solícita, ofereceu-se para meter cunha se houvesse uma grande lista de espera. Havia. E a cunha salvou-lhe a vida.»

 

Eu: «B. é o assassino norueguês. Recuso-me a escrever e até a fixar o seu nome. Como certamente sucede com Almeida Fernandes, indigna-me vê-lo a toda a hora impresso e difundido pelos órgãos de informação. Como se de um filantropo ou um benemérito se tratasse. Como se fosse uma figura familiar, muito lá de casa. Como, no fundo, fosse um de nós.»