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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 26.07.21

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João Carvalho: «O programa matinal da RTP-1 Bom Dia Portugal tem um apontamento chamado "Bom Português". Ensina (?) a escrever em conformidade «com o novo acordo ortográfico». Por exemplo:

– "hectare ?"
– "hetare ?"

Depois de testar gente na rua, o apontamento diz como é e conclui invariavelmente que «assim se escreve em bom português». Porém, valia a pena que o(s) autor(es) do apontamento e toda a hierarquia da RTP Informação soubessem escrever bom português: não existe um espaço antes de um ponto de interrogação (ou ponto de exclamação, ou vírgula, ou ponto final, ou ponto e vírgula, etc.) — bom português é saber escrever: "hectare?" Este é um erro que a RTP ensina (?) diariamente no seu mau português escrito.»

 

Leonor Barros: «68 estouvadas, delirantes, desmioladas e pujantes primaveras. Aguenta firme, miúdo. É só rock n'roll mas nós gostamos.»

 

Rui Rocha: «A propósito dos acontecimentos dramáticos na Noruega, está a ser disputado, mais uma vez, um jogo de tabuleiro. O seu nome técnico é imputação de terroristas. Mas, a designação popular também pode ser arremesso de loucos ou de desequilibrados. Neste jogo, tal como no xadrez e nas damas, existem peças brancas e peças mais escuras. Alguns que se dizem de esquerda, atacam com os terroristas brancos. Outros, que se arrogam de direita, atacam com os terroristas mais escuros. Dizem que o jogo foi inspirado pelos festivais, muito comuns em cidades do Sul de Espanha, de moros y cristianos. É um jogo peculiar. No final da partida, cada um dos jogadores fica convencido de que ganhou. Mas, na verdade, este é um jogo em que todos perdem.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O melhor mesmo é renunciar desde já. Sempre evitará ficar com o mesmo estatuto daquele rapaz amigo de Paulo Portas que agora também vai para administrador da CGD e que ficou famoso pela conviccção com que dizia querer aumentar o território de Portugal continental até aos Açores à custa da ZEE, fazer um Museu da Bíblia e uma Disneylândia no Sul de Portugal.»

 

Eu: «“Não mais palavras. Um acto. Não voltarei a escrever.” Com estas palavras, redigidas num bilhete que lhe serviu de testamento, [Cesare] Pavese despediu-se da arte e da vida. O que levará um grande autor ao desespero? Quem de nós conhece devidamente os abismos da existência humana?»