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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 24.07.21

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Ana Lima: «Há que alimentar as audiências, dando-lhes produtos cada vez mais sofisticados, aumentando mais e mais esse controle. Neste novo programa não é o comportamento dos concorrentes que é observado. Aqui ele é determinado de fora, conferindo a quem está do outro lado, sentado em casa, o poder de mandar. A definição de espectador não servirá mais para designar este novo conceito.»

 

José António Abreu: «Detesto Lady Gaga. Mas há umas semanas, num segmento que o Sixty Minutes lhe dedicou e no qual teve atitudes tão ridículas como aparecer ao repórter quase nua porque naquele dia «não lhe apetecera vestir-se», admirei a consciência que ela tem da forma como é encarada ao afirmar que os media e muito público lhe seguem os passos esperando assistir à sua queda. Querendo estar lá quando exagerar, quando algo de horrível lhe acontecer. Quando morrer. Mas, acrescentou, sabe perfeitamente o que faz e não lhes (nos) vai dar essa satisfação.»

 

Patrícia Reis: «Da cidade pouco ou nada se sabia. Os velhos tinham morrido. A memória perdera-se em buracos profundos, como pedaços esquecidos de um jogo qualquer, uma peça infantil.  A mulher grávida seria uma excepção, sim, mas poucos o saberiam. Ou se importariam com isso.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «O que aproxima esses actos é o mesmo que nos transforma em bestas. A violência. O extremismo, a cegueira ideológica, é a máscara que permite chegar ao fim o que devia morrer à nascença.»

 

Eu: «Era já também então evidente, para quem soubesse olhar, por que motivo [António José] Seguro partia em vantagem perante qualquer outro adversário interno: enquanto Sócrates domava o partido, e o vergava ao seu mando, do deputado natural de Penamacor e eleito por Braga partiram iniciativas que o distinguiram e enobreceram. Como o seu voto solitário contra o novo regime de financiamento dos partidos políticos que permitia o regresso dos homens cheios de malas com "dinheiro vivo". E a sua firme oposição, também na Assembleia da República, à quebra de uma das mais emblemáticas promessas eleitorais de Sócrates: a realização de um referendo europeu, rapidamente metida na gaveta quase sem um sobressalto entre os socialistas.»