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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 16.05.21

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Ana Lima: «Foi no final de Maio de 2009 que entrei neste universo dos blogues. Fi-lo com um misto de curiosidade em relação a um mundo que tinha acabado de conhecer e  de vontade de registar algumas das ideias que, de vez em quando, me passam pela cabeça. Não é um diário que esses são feitos para guardar em gavetas e serem lidos apenas quando o seu autor deixa de transportar consigo a chave. A consciência de que o que escrevemos poderá ser lido por pessoas com quem nunca nos cruzámos faz aumentar a nossa ansiedade mas também o nosso prazer.»

 

Cristina Torrão: «Os pais gostam de proporcionar aos filhos uma vida melhor do que a que eles tiveram, mas incorrem facilmente no erro de os superprotegerem. Calculo que não será fácil encontrar uma fronteira entre o desejo de os ver felizes e despreocupados e a obrigação de os preparar para a vida. Não tenho filhos e “falar é fácil”. Penso, no entanto, que, se os pais tiverem consciência de que será igualmente útil que os filhos sofram desilusões ou falhanços e enfrentem desafios (sim, também durante a infância e juventude), apenas essa consciência já poderá ajudar. O importante é que eles, os pais, estejam lá, quando os filhos perdem o ânimo. Porque a verdadeira ajuda não é evitar que sofram desilusões e, sim, compreendê-los nos seus desgostos e infelicidades, dar-lhes os meios de saberem lidar com as agruras da vida (porque ela traz sempre agruras).»

 

João Carvalho: «O caso do quarto do Sofitel de Nova Iorque que está a dar a volta ao mundo impediu que se concretizasse ontem o encontro previsto entre Angela Merkel e Dominique Strauss-Khan. Teve sorte, a senhora, que o sujeito não é de confiança quando lhe dão os repentes.»

 

José António Abreu: «Vinte e sete horas depois (mas o que é isto, um país evoluído?) chegou a mensagem de que a minha entrada era oficial. Consultei o calendário para comprovar que não estávamos no primeiro de Abril, belisquei-me duas vezes (a segunda apenas por prazer) e depois fiquei imóvel a olhar para o ecrã do computador durante vários minutos. Assustado, confesso. Por mim e, mais ainda, por eles. Decididamente, esta gente é menos sensata do que eu pensava. E – o que não julgava possível – eu também. Afinal, parece que aceitei aderir a um clube que me aceita como membro.»

 

Laura Ramos: «Grande Steinbeck: se há um escritor a reler neste momento da história, é ele mesmo, que escreveu em plena Grande Depressão.»

 

Patrícia Reis: «Ser amigo por sms não é o mesmo que abraçar um amigo, digo tantas vezes. Mas a vida e o tempo atropela-nos e, curiosamente, parece que não dominamos a vida que queremos ter. Estamos sempre atrasados, temos emails para responder, mandamos mensagens com abreviaturas e esquecemo-nos de dizer todos os dias: Como estás? Amo-te. Estás triste? O que precisas?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «As histórias de alcova envolvendo nomes da política e do social não são novas. Há séculos que os homens e as mulheres são todos feitos da mesma carne. Mas as sociedades evoluem, nem sempre bem como em cada dia que passa se torna mais patente a diversos níveis, mas no que respeita aos hábitos e comportamentos sexuais há hoje uma fronteira muito nítida que separa a liberdade individual, a proposta e a aceitação, do abuso puro e simples.»

 

Eu: «Em nenhum momento do frente-a-frente Sócrates fez um esforço mínimo para cativar um voto comunista. Pelo contrário, chegou a revelar - por palavras e esgares - alguma arrogância, nomeadamente quando acusou Jerónimo de ser "incapaz de compreender" a lógica do sistema fiscal português. São pormenores. Mas que ajudam a perceber por que motivo José Sócrates é hoje a figura mais solitária da cena política nacional.»