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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 12.05.21

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Inês Teotónio Pereira: «Por aqui as revoluções não têm sangue porque ninguém acredita que o país esteja mesmo em causa; as crises não são encaradas com a gravidade devida porque não vimos mal nenhum em “arrendar” a nossa soberania por uns aninhos a troco de biliões - está mais que visto que nossa soberania nunca se ausenta por muito tempo. Os portugueses não se acham suficientemente especiais, não se consideram com competência suficiente para estoirar definitivamente com um país que sempre existiu. Não somos assim tão bons.»

 

João Carvalho: «Nunca esperei chegar a isto, mas agora dou por mim a sentir pena por ainda não haver TGV. O investimento que fizemos já justificava algum material circulante e umas estações, não é verdade? Sobretudo, estações. Para o ainda ministro Mendonça poder sair na próxima.»

 

Rui Rocha: «No debate de ontem entre José Sócrates e Francisco Louçã estiveram em confronto as propostas de um partido que ainda não tem um programa escrito (BE) e as de um outro que tem um escrito que não é um programa (PS). Dou de barato que Sócrates, apesar de ter ido ao tapete na primeira parte do debate, tenha recuperado e possa ter acabado por derrotar o adversário. Vitorioso no combate com Louçã, Sócrates deu, todavia, mais um passo no sentido de perder o país.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ao percorrer sozinho uma auto-estrada deserta, debaixo de um esmagador céu azul de Maio, cortado aqui e ali pelo voo de uma cegonha ou de um gaio, com os campos verdes e o sol tão alto, interrogo-me: porque terá de ser sempre tão doloroso viver num país tão belo?»

 

Teresa Ribeiro: «Poucas são as vozes verdadeiramente independentes e as que se reconhecem como tal são frequentemente desvalorizadas pela opinião dominante, alinhada e reverente. Até a realidade começar a dar-lhe razão, Medina Carreira era apelidado de catastrofista e António Barreto, agora tão citado, era por muitos apontado como um pessimista impenitente. A crise valoriza agora as suas palavras porque criou uma apetência invulgar por factos. Preocupadas, as pessoas querem perceber o que se passa. É deste interesse renovado dos portugueses pelo seu país que pode sair uma sociedade civil mais informada e mais activa.»

 

Eu: «Debate? Que debate? Quem teve a paciência de escutar até ao fim o frente-a-frente desta noite, na RTP, entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa certamente não descortinou qualquer motivo de fundo para o PCP e o Bloco de Esquerda se apresentarem em listas separadas a estas eleições. É certo que o secretário-geral comunista, há uns dias, disse numa entrevista desconhecer qual é a ideologia do BE. Mas ao ser desafiado pelo jornalista Vítor Gonçalves a reeditar estas dúvidas, Jerónimo preferiu chutar para canto. Ninguém diria que estes dois partidos já estiveram envolvidos em acesos despique verbais. Ninguém diria que houve até uma época em que o Avante! mimoseava os bloquistas com farpas bem aguçadas.»