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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 10.05.21

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Filomena Naves: «Era um dos miúdos mais pobres da aldeia, mas não foi por isso que deixou uma impressão indelével na jovem professora, que em início de carreira, nos anos 50, tinha sido colocada naquele fim de mundo, perdido no meio da serra. “Foi o meu melhor aluno”, contava ela, muitos anos mais tarde. “O Orlando aprendia com uma facilidade como nunca vi, era extraordinário”. Tão extraordinário que ela tentou por todos os meios que a criança continuasse a estudar depois de ter feito a quarta classe. Infelizmente, apesar de todos os seus esforços e diligências – “sei lá com quantas pessoas falei”, recordava – Orlando ficou por ali.»

 

Luís M. Jorge: «O percurso trágico do Bloco de Esquerda nas sondagens revela-nos a que ponto o partido avaliou mal a situação. Louçã esperava ser o refúgio natural do voto de protesto, mas não é. A crise explica-o em parte: os votos de protesto são um luxo da democracia. Mas o erro da moção de censura a brincar e a recusa de qualquer diálogo com a troika agravaram a desconfiança dos eleitores. O Bloco está fora do sistema, numa altura em que era urgente a emersão de uma alternativa de esquerda para os socialistas. Perdeu a oportunidade de se transformar num partido de poder, e não é provável que venha a ter outra. Resta-lhe a aliança com o PC ou uma espécie de marginalidade envergonhada. Ninguém tem tanta sorte como Sócrates.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Estou na região de Myra-Demre, onde viveu, foi ordenado bispo e morreu um senhor chamado Nicolau. Depois S. Nicolau, na actualidade, mais prosaicamente, um tal de Pai Natal que entra pelas chaminés, oferece presentes às crianças e transformou o último mês do ano, todos os anos, numa ode ao consumismo puro e duro.»

 

Teresa Ribeiro: «Se os tablóides, assumidos híbridos, nos falam tanto das fofocas de Hollywood como da morte de Bin Laden, não estranhamos. Mas se a Imprensa, dita de referência, reservar na primeira página espaço para títulos como "Biberão após um ano torna bebés gordos" e "Devíamos andar mais quatro mil passos por dia" é legítimo que nos interroguemos sobre a sua estratégia de vendas. É com estas chamadas de capa que querem vender jornais às pessoas que não compram tablóides, porque não gostam de lixo?»

 

Eu: «Foi um debate correcto e civilizado, quase cordial. Os portugueses, sobretudo nesta fase, apreciam os políticos que não transformam um estúdio de televisão num ringue de boxe. Neste aspecto, o secretário-geral do PCP e o presidente do PSD marcaram pontos esta noite na TVI. E Pedro Passos Coelho até surpreendeu ao concordar quatro vezes com o seu antagonista: sobre a dureza das medidas que deverão ser aplicadas, a necessidade de redução dos custos das empresas, as críticas à política "irresponsável" do Governo de José Sócrates e a confiança no veredicto do povo português a 5 de Junho.»

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