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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 09.05.21

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Francisca Prieto: «Um casamento é um processo. É verdade que começa pela fase “Lua de Mel”, mas vai gradualmente ganhando peso à medida que os anos se desenrolam. A fase dos filhos pequenos é a travessia do deserto, mas vivemos com a miragem de que dias mais fáceis chegarão. Que haja gente que não se aguente, é perfeitamente compreensível. Nem todos temos vocação para expedicionário e é natural que desatemos a embirrar com o companheiro de viagem. O que não consigo perceber é que se troque esse companheiro por outro que está em pleno ponto de partida, a léguas do nosso azimute.»

 

Rui Rocha: «O FMI vai acabar com o 13.º mês, despedir funcionários públicos e cortar nos salários (inclui programa da Roménia para ilustrar corte de 25%) - esgotado desde a comunicação do Querido Líder ao país sobre as medidas que não integram o pacote de ajuda (produto descontinuado).»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A 170 km de Kusadasi, no sopé do monte Baba Dagi, nas proximidades de um rio chamado Meandros, erguia-se Aphrodisias. Da cidade culta e refinada de outrora, onde se venerava Afrodite, restam o Teatro, construído sobre a Acrópole pelos gregos no século I a.C. e depois restaurado por Marco Aurélio, as ruínas das Termas de Adriano, o “Bouleuterion”, local de reunião do conselho da cidade, as colunas jónicas do antigo Templo de Afrodite e, em especial, o fabuloso estádio, onde podiam sentar-se 30.000 espectadores e em que todos e cada um dos lugares garantia visibilidade absoluta.»

 

Teresa Ribeiro: «Há seis anos que o oiço e vejo diariamente. Não posso dizer o mesmo em relação à maioria das pessoas que considero íntimas. Por isso, apesar de nunca ter privado com ele, há traços psicológicos que lhe identifico sem hesitar, como  a ambição e a obsessão com a imagem. A ambição em política não é defeito, pelo contrário, já a preocupação com a imagem, quando se torna obsessiva, é inquietante, porque mais tarde ou mais cedo dificulta a relação que se estabelece com a realidade, essa rapariga rebelde e inconveniente.»

 

Eu: «Pela primeira vez, que eu me lembre, José Sócrates perdeu um debate eleitoral. Foi esta noite, nos estúdios da TVI, perante um Paulo Portas em boa forma que lhe disse o essencial, olhos nos olhos: este primeiro-ministro "vive na estratosfera". Vive num país só dele, que nega a realidade quotidiana dos portugueses: a dívida pública duplicou em seis anos, há hoje quase 700 mil pessoas sem emprego, o "estado social" tornou-se uma figura de retórica, Portugal viu-se forçado a estender a mão à caridade internacional.»