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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 05.05.21

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Adolfo Mesquita Nunes: «Porque nunca quis fazer do Delito uma espécie de prolongamento da minha actividade política, podem ler-me, até às eleições legislativas, na Rua Direita, o blogue que junta algumas das pessoas que entendem que o CDS deve crescer eleitoralmente. Vou mas com V de volta. Até logo!»

 

Ana Vidal: «Ouvi ontem uma comovedora declaração de um rapazinho de cabelo em pé, cor de palha seca, afirmando esta coisa espantosa: "Eu antes tinha qualidade mas não tinha cabeça. Agora, graças ao Mister Jesus, tenho qualidade e já tenho cabeça. Sou um homem feliz." À parte o tom informal e pouco respeitoso com que o miraculado se referiu a Jesus Cristo - a tradição já não é o que era e a anglofonia impera, assim na terra como nos céus - gostei de saber que ainda há milagres deste calibre no séc. XXI. Já agora, mais um jeitinho e Jesus podia ter tido a caridade de mudar-lhe também o nome. Nenhum homem, mesmo com uma cabeça nova em folha, merece chamar-se Fábio Coentrão.»

 

Pedro Adão e Silva: «Em Portugal, as colunas de opinião ou assentam na ideia estrambólica de que quem escreve opinião tem de ter rasgo literário (o que explica a sobrevivência de colunistas onde o brilhantismo estilístico serve para esconder a preguiça intelectual) ou limitam-se a um conjunto de afirmações que dispensam sustentação ou, pior ainda, dependem de um par de trocadilhos combinados com uma ou duas frases de belo efeito, preferivelmente no registo engraçadinho que tem feito escola. Quando a opinião deveria partir da defesa de um argumento com base em factos, ideias ou conhecimento disponível (por exemplo académico), o que nos é oferecido em Portugal é, frequentemente, um exercício preguiçoso baseado na fulanização, em processos de intenção e na desvalorização da capacidade de raciocínio.»

 

Rui Rocha: «O Braga acaba de consumar um feito histórico. A vitória sobre o Benfica nas meias-finais da Liga Europa representa o culminar de um percurso coerente. O desempenho nas competições da UEFA foi, durante toda a época, absolutamente brilhante. Equipas como o Sevilha, o Celtic ou o Liverpool que o digam. No jogo desta noite, os minhotos souberam sempre o que queriam. E queriam sofrer, com humildade e determinação, a caminho do impossível. Em esforço e ambição o Braga foi superlativo. O sentido colectivo foi enorme. Tanto que não é justo fazer qualquer destaque individual. Ao contrário, o Benfica nunca pareceu uma equipa. E as individualidades falharam.»

 

Teresa Ribeiro: «Creio que foi em 2007 que o governo de Sócrates, alegando a necessidade de reduzir custos ao Estado social, acabou com alguns subsistemas de saúde. Eu, que era beneficiária de um deles, claro que não gostei, mas aceitei os fundamentos da decisão. O que não engoli foi o facto de terem acabado afinal só com alguns, os que não ameaçavam os interesses das corporações que por tradição os governos nunca enfrentam (militares, polícias, justiça) e não incendiavam os sindicatos (Função Pública).»

 

Eu: «Tive o privilégio de assistir a uma magistral lição de jornalismo, pronunciada por um dos maiores especialistas da matéria: Larry King, brindado com uma prolongada ovação em pé ao fim da manhã de hoje no Centro de Congressos do Estoril, onde foi o principal orador do dia. O mais célebre entrevistador do planeta, que durante um quarto de século foi o rosto mais conhecido da CNN, mostrou-se igual a si próprio: divertiu-se e divertiu o auditório, comoveu-se e comoveu a plateia neste segundo dia das Conferências do Estoril. (...) Deixou algumas mensagens que merecem registo. Desde logo, esta: "Nunca sabemos tudo. Só sabemos um bocadinho. Aprendo coisas novas todos os dias." Ele, que deu os primeiros passos no jornalismo em 1957, ainda hoje não entende em pormenor "como se faz a radiotransmissão em apenas um segundo" das suas palavras por todo o mundo. Larry King trouxe ao Estoril outras mensagens importantes. Esta, por exemplo: "Ninguém aprende nada enquanto está a falar." Nada mais certo. E também esta: "Nunca utilizo o termo eu numa entrevista." Mensagens que bem merecem ser meditadas num país em que tantos narcisos medíocres peroram durante horas a fio à frente dos microfones sem terem verdadeiramente nada a comunicar.»