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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 21.04.21

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Ana Cláudia Vicente: «Todos temos a noção de que uma boa sondagem ou estudo de opinião custam muito dinheiro e sim, estamos em crise. Mas isto é justificação suficiente para media ditos de referência publicarem artigos neste tom ou neste (e ao menos a TSF colocou a ficha técnica bem à vista) com base num trabalho feito a partir de escassas 803 entrevistas a outros tantos eleitores, nas quais mais de metade destes se dizem indecisos (36%), que não pretendem votar (6%), ou irão votar em branco (10%)? É que para o mal e para o bem, sempre somos uns 8 milhões e meio deles. É verdade: já se sabe quantos somos, exactamente?»

 

João Gomes de Almeida: «Portugal é um país de dependências, que olha com estranheza para os independentes. Esta realidade é facilmente demonstrada pela forma como reagimos à entrada do FMI: nada se passou e nem ninguém se importa com isso. Por outro lado, vejamos o exemplo da Grécia, onde as ruas foram imediatamente invadidas por jovens com pedras em riste, ou da Irlanda, onde as manifestações se tornaram constantes. O nosso país é diferente, nós gostamos de ser dependentes, de ter alguém que nos pague as contas, mesmo que para isso tenhamos que ter alguém a mandar em nós.»

 

Rui Rocha: «Resta a Passos Coelho ir a jogo. Ele próprio, sozinho, com os seus defeitos e as suas limitações. Sem mediadores, de carne e osso, real como Massamá. Para lá das agências de comunicação, para cá do país. Ou se desgraça ou cai em graça. Esse é o risco. E o risco é a essência da política.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Uma sondagem, conhecida ontem e divulgada esta manhã, está a irritar muita gente. E não é o facto de a amostra ser de apenas oito centenas de pessoas ou pouco mais que a irrita. Não deve ser agradável acordar de manhã e perceber, a pouco mais de um mês das eleições, que não será possível livrar-se do Eng. Sócrates. As ajudas de Cavaco Silva, do PEC 4, dos oradores no último congresso do PS e da dita “troika”, para já não contar com os tiros nos pés que o engenheiro continua a dar, não lhe servirão para nada. Vamos ficar como estamos. Mal. Esta é a nossa sina.»

 

Teresa Ribeiro: «O partido do governo, apesar de ser liderado pelo homem que a esmagadora maioria dos portugueses responsabiliza pela crise a que chegámos, se fosse hoje a eleições conseguiria um empate técnico com o PSD. Apesar de o líder do PSD estar menos negativo (-29) que José Socrates (-47), a verdade é que está negativo. A inércia, percebe-se agora, será a principal adversária de Passos Coelho. Quando falta a esperança, a inércia vai sempre a eleições e às vezes ganha.»

 

Eu: «BE e PCP recusaram encontrar-se com a delegação do FMI, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que se encontra em Lisboa: qual destes dois partidos ganha o campeonato do radicalismo de esquerda?