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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 13.04.21

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André Couto: «O Governo caiu. O Benfica, desta vez, não foi campeão. O FMI chegou. A campanha corria macambúzia. O tom e os assuntos do debate ajudavam a que os programas do costume mais parecessem canções de embalar. Até que Pedro Passos Coelho sacou da cartola - acho que este trocadilho ainda não foi muito explorado - Fernando Nobre como candidato a Presidente da Assembleia da República. E tudo mudou.»

 

António de Almeida: «A hipocrisia internacional não conhece limites. Se foi inquestionavelmente legítima a intervenção norte-americana no Afeganistão, atacada pela Al-Qaeda com a cobertura do regime talibã, é estranho que se invoquem razões humanitárias para invadir o Iraque ou a Líbia. Para não parecer muito mal, neste momento a comunidade internacional também parece finalmente acordar para a Costa do Marfim, onde um presidente derrotado nas urnas usurpou efectivamente o poder.»

 

João Carvalho: «António Mota não fez qualquer descoberta: Portugal tem sido incapaz de qualquer planeamento, estratégico ou não, e isso é um mal que vem de longe. Já quanto à internacionalização do grupo que trata por tu as grandes obras públicas, o melhor que podemos fazer é desejar-lhe felicidades e que mande de lá saudades. Porque o que menos precisamos por cá (há muito tempo) é da Mota-Engil, do BES, da Brisa, da Lusoponte e de todos aqueles do costume que vivem à mesa do Orçamento do Estado e que querem abanar-nos mais um bocado para ver se ainda cai algum.»

 

Rui Rocha: «O Governo de Sócrates não se ficou por conduzir o país à bancarrota. No momento em que ministros de um Governo eleito democraticamente, em conluio ou por decisão unilateral de um deles, violam as leis em vigor, adoptando uma conduta que pode consubstanciar a prática de um crime de abuso fiscal, a insolvência não diz respeito apenas à inexistência de disponibilidades financeiras. Na verdade, estamos a falar de uma falência do próprio Estado de Direito. Não foram só as importâncias retidas na fonte aos polícias que não foram entregues ao Ministério das Finanças. Foi a própria fonte da ética e do fundamento democrático que secou.»

 

Eu: «O critério de Cavaco é estreito. E confirma que o actual chefe do Estado perdeu atributos revelados noutros tempos, em que fazia pontes para sectores políticos muito para além do partido que comandou. Falta neste elenco designado por Belém alguém claramente conotado com a esquerda. Cavaco teria revelado rasgo político se pelo menos uma das personalidades que indicou para o Conselho de Estado fosse desta área política – e porque não até próxima do PCP, que não tem qualquer representante directo ou indirecto neste órgão em representação da Assembleia da República? Não seria pedir de mais a alguém que procura não ser confundido com um líder de facção. Procura sem o conseguir. Por vezes dir-se-ia até que não faz qualquer esforço nesse sentido.»