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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 10.04.21

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Ana Cláudia Vicente: «O jornalismo poderá tirar a coisa a limpo: ou abusei  ao almoço, ou a banda sonora seleccionada para o  final do congresso socialista teve por composição principal um tema de Trevor Rabin, de 1998, criado para um filme memoravelmente mau e ominosamente intitulado Armageddon. Não, foi com certeza impressão minha.»

 

Ana Margarida Craveiro: «Um dos aspectos mais graves nesta profunda crise política é a representatividade. As taxas altas de abstenção e a falta de ligação ao eleitorado costumam denunciar bem este problema: as pessoas não se revêem nos seus representantes, não acreditam neles, não confiam neles. O fenómeno é bem conhecido, e as soluções para o tentar resolver também (voto uninominal, voto preferencial, etc.). Mas falta outro factor: e que tal responsabilizar o eleitorado?»

 

Rui Rocha: «Sócrates já foi um vendedor de ilusões. E os resultados eleitorais demonstram que teve um certo talento nesse ramo de actividade. O problema de Sócrates é que tem tanto mérito na venda de ilusões como demérito na actividade de pagador de promessas. E isso é fatal no ramo das ilusões. Recorde-se: estas não sobrevivem na ausência de um nadinha de realidade. A reserva de realidade nas ilusões vendidas por Sócrates esgotou-se. Por isso, Sócrates decidiu mudar de ramo. Agora, está no negócio das alucinações.»

 

Eu: «Ana Gomes interrompeu as ladainhas próprias de uma missa de acção de graças para fazer aquela que foi, de longe, a melhor intervenção escutada no palco de Matosinhos. "É preciso que o PS reconheça com humildade que nem sempre tudo foram rosas na governação e que nem sempre a rosa cheirou muito bem. O PS também cometeu erros e assumi-los será meio caminho andado para corrigi-los", disse sem papas na língua a eurodeputada socialista, a única que recusou prestar tributo incondicional ao secretário-geral do partido num congresso formatado para o culto da personalidade ao político que mais contribuiu para desmantelar o nosso estado social e para diminuir os direitos sociais dos portugueses. Sintomaticamente, falou para uma sala vazia. Este PS convive mal com o debate interno e faz tudo para ignorar as vozes críticas.»