Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 08.03.21

21523202_SMAuI.jpeg

 

Ana Cláudia Vicente: «Apesar de os primeiros testemunhos relativos ao Entrudo em Torres Vedras remontarem à segunda metade do séc. XVI, só nos primeiros anos de novecentos ele começou a tomar a forma que ainda hoje mantém: para além de bailes associativos e partidas (mais ou menos violentas, os chamados "assaltos") de vário género - comuns a todo o país - a sede de concelho passou a acolher e organizar, a pouco e pouco, festejos de rua com eixo em corsos compostos por cabeçudos, zés-pereiras,  carros satíricos, batalhas de flores, recepções aos "reis" e, claro, cirandas de muitas e inenarráveis matrafonas.»

 

Rui Rocha: «A confiança no olhar só se reafirma se as políticas austeras continuarem, na linha da rudeza socialmente temperada, cortando na gordura para deixar o músculo liberto. É esse o caminho de Sócrates e é exactamente esse que devemos apoiar. (...) Bom Carnaval!!!»

 

Teresa Ribeiro: «Não, hoje não é o Dia Internacional da Sida, nem da Doença de Parkinson, hoje é o Dia Internacional da Misoginia, a doença mais antiga do planeta e que como tantas doenças crónicas tem direito a uma data no calendário da ONU. Nos jornais leio que se "comemora" este dia, mas não é verdade. Raramente os dias internacionais são dias comemorativos, pois se são assinalados desta forma é porque carecem da atenção da comunidade internacional, em regra pelos piores motivos.»

 

Eu: «O papel dos jornalistas nas horas de grande tensão política é crucial. Fez agora 30 anos, quando um punhado de militares saudosos do franquismo invadiu o edifício do Parlamento, sequestrando os membros do Governo e os deputados que lá se encontravam, Espanha viveu longas horas sob o pesadelo do regresso à ditadura após cinco anos incompletos de sistema democrático. Nessa noite de 23 para 24 de Fevereiro de 1981, Madrid parecia uma cidade fantasma: só alguns bandos de arruaceiros de extrema-direita varriam as ruas vitoriando Tejero de Molina e os seus capangas da Guarda Civil que mantinham os políticos sob a mira das armas. Nesses momentos dramáticos, em que tudo podia acontecer, dois jornais fizeram a diferença: o El País, de Juan Luis Cebrián, e o Diario 16, de Pedro J. Ramírez, lançaram edições especiais que já circulavam às 11 da noite. “Fracasa el golpe de Estado” – foi a manchete do Diario 16“El País com la Constitución”, titulava o El País. Manchetes editorializadas, que exprimiam mais desejos do que certezas numa altura em que o rumo dos acontecimentos era ainda imprevisível, mas que à sua maneira também contribuíram para influenciar o desfecho da intentona extremista.»