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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 28.02.21

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João Campos: «Ainda eu não acabei de ver todos os filmes que quero ver do ano passado, e já me estão a prometer coisinhas boas no grande écrã para este ano. Pelo menos, essa é a minha expectativa: em Abril, chega aos cinemas a primeira parte da adaptação cinematográfica de Atlas Shrugged, a obra-prima de Ayn Rand. Projecto ambicioso, sem dúvida.»

 

João Carvalho: «Se Louçã tivesse uma pontinha de razão e conseguisse explicar muito bem explicadinho como é que censurar o Governo corrige as injustiças sociais e traz estabilidade e desenvolvimento ao País, era caso para cada grupo parlamentar, cada partido, cada cidadão cuidar de promover censuras permanentes ao Governo. Eu próprio, modestamente, podia ser laureado com um Óscar qualquer pelas censuras ao Governo que vou lançando e que, pelas minhas contas, já deviam ter-nos livrado da crise.»

 

Laura Ramos: «Pode não ter sido o teu filme, Colin. Vão correr rios de tinta sobre o assunto. Mas tu entendes que isso interessa pouco: são apenas os hollywwod-cratas do costume. Eu sei que entre tantos outros, tantas vezes imerecidos, este teu Óscar é inteiramente devido

 

Nuno Costa Santos: «Se calhar o problema está nisto: nesta divisão entre “crianças” e “adultos”. Devíamos, digo eu, não tratar as crianças como adultos mas sim tratar os adultos como crianças. Como os seres frágeis que ainda somos, apesar de nos quererem integralmente responsáveis por tudo o que fazemos e dizemos. O problema talvez esteja algures por aí: nessa divisão tão grande entre as crianças e os adultos. Se formos metidos todos, novos e velhos, no mesmo saco – o saco de pessoas frágeis, amorosas e birrentas – a coisa torna-se pelo menos mais justa.»

 

Rui Rocha: «A noite dos Óscares não surpreendeu. Consagrou um filme que executa o papel de contar uma história apoiado em excelentes interpretações. Nem mais, nem menos. Uma noite assim, consensual, sem rasgo, polémica ou desastre que a ilumine não ficará  na história da cinematografia. Parece-me uma cerimónia adequada aos tempos que vivemos.»

 

Eu: «"Nas imagens das manifestações, onde estão as mulheres da Líbia, da Tunísia, do Bahrein, do Iémen?", questionava há dias Inês Serra Lopes, na sua habitual coluna de opinião da terceira página do i. Lembrando, e com razão, que "sem mulheres não há revolução". Por saboroso acaso, a resposta vinha logo na página seguinte da mesma edição, em texto assinado por Nicholas Kirstof, escrito em Manama, capital do Bahrein, para o New York Times (de que o i tem o exclusivo em Portugal). "Não se deixe levar pela campanha maliciosa lançada pelos ditadores segundo a qual um Médio Oriente mais democrático será fundamentalista, anti-americano ou opressivo para as mulheres. Para começar, têm-se visto muitas mulheres nas ruas a exigir mudanças (mulheres de uma força impressionante, vem a propósito lembrar!)", escreve este jornalista galardoado duas vezes com o Pulitzer.»