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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 24.01.21

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Adolfo Mesquita Nunes: «Fosse o governo menos canhoto e esta história de centenas (milhares?) de eleitores terem sido impedidos ou dissuadidos de votar seria a derradeira demonstração, a somar à eleição de um Presidente vindo da direita neoliberal que tem na especulação financeira a sua razão de existir, de que a longa noite do fascismo tinha voltado para nos roubar a liberdade de Abril. Como é o PS que está no governo a comandar a nossa administração interna, a coisa não passa de um insignificante, mas chato, problema informático. É certo que houve gente que não conseguiu votar, e isso é chato. Mas, caramba, é o PS que está no governo!, e o PS, ao contrário de uns e de outros, não recebe lições de democracia de ninguém.»

 

Bandeira: «A insónia é uma amostra grátis de eternidade.»

 

Fernando Sousa: «Hoje, 24 de Janeiro, é o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática concebida por um cientista britânico da Universidade de Cardiff. Vem hoje no Público. A descoberta é do psicólogo Cliff Arnall e está claramente resumida na fórmula 1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA. O dia mais feliz será 20 de Junho, pelo que vamos ter de nos armar, até lá, de muita paciência. Apesar de tudo, bom dia a todos!»

 

João Carvalho: «A partir do fim da tarde e ao longo da noite, a palavra que mais ouvi e li foi "surpresa". Cavaco Silva foi uma surpresa: as sondagens davam-lhe percentagens muito elevadas e o resultado surpreendeu. Manuel Alegre foi uma surpresa: apoiado por dois partidos e a experiência de uma máquina oleada, teve um resultado modesto. Fernando Nobre foi uma surpresa: sem máquina partidária e sem passado político, conseguiu travar a investida de Alegre. Francisco Lopes foi uma surpresa: com uma máquina afinadíssima e histórica, nada acrescentou ao PCP. José M. Coelho foi uma surpresa: emprateleirado numa ilha e sem máquina e meios capazes, deu nas vistas no plano nacional. Defensor Moura foi uma surpresa: com experiência política autárquica e parlamentar e com parcelas de um partido maioritário, ficou enterrado na rua onde mora.»

 

José Gomes André: «Tendo em conta a campanha particularmente belicosa contra Cavaco, até nem me surpreende que vários comentadores de nomeada apresentem nas últimas horas sinais de azia aguda. Já me parece mais grave quando tal indisposição lhes tolda a análise, como acontece com Daniel Oliveira ao escrever "[Cavaco Silva] não esmaga e por isso não poderá tutelar Sócrates nem, como tanto desejava, Passos Coelho". A ver se nos entendemos: a partir de hoje, Cavaco pode fazer o que lhe apetecer. Como Mário Soares em 93-94 ou Sampaio em 2003-2004. É isso que assusta a Esquerda (caviar, comunista ou socialista, tanto dá), mas faz parte do jogo democrático...»

 

Paulo Gorjão: «Tal como se esperava, Aníbal Cavaco Silva ganhou à primeira volta. Independentemente da percentagem da abstenção, dos votos brancos ou nulos, a legitimidade política do Presidente da República é indiscutível e o seu exercício dos poderes presidenciais não está de forma alguma fragilizado. Liberto do espartilho da reeleição e sem esquecer a frustração que o seu primeiro mandato gerou junto do seu eleitorado natural, dificilmente Cavaco Silva será tão passivo entre 2011 e 2016 como foi entre 2006 e 2011.»

 

Eu: «Cavaco Silva, com menos meio milhão de votos que em 2006, pareceu totalmente fora de tom no seu amargo e crispado discurso da vitória: "Nunca vendi ilusões aos portugueses nem prometi o que não podia cumprir." Ninguém tenha dúvidas: esta é uma declaração de guerra contra Sócrates. Começou um novo ciclo na política portuguesa.»