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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 07.12.20

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João Carvalho: «Os portugueses andam a substituir o tradicional bacalhau com batatas por frango e arroz, o que se compreende: o frango fica muito mais baratucho que o bacalhau e os tempos não estão para facilidades. Já é drama bastante haver cada vez mais gente que nem ao arroz de frango consegue chegar. Problemático será começarem a fazer desaparecer os galos. Com o desnorte que vai por aí e sem homens capazes ao leme, restará encontrarmos o rumo por nós próprios. É conveniente, portanto, afastarmos o perigo de não sobrar bicho com experiência suficiente para nos orientar.»

 

Pedro Vieira: «30 anos depois resta o mito e um sinal de pontuação.»

 

Rui Rocha: «Mario Vargas Llosa recebeu ontem o Prémio Nobel da Literatura/2010. De acordo  com os relatos,  respondeu a todas  as perguntas de forma acessível, directa e sem rodeios. Alguns exemplos: China: "é preciso não esquecer que continua a ser uma ditadura!"; Wikileaks: "um pouco de luz dá confiança aos cidadãos; demasiada luz impede o Estado de funcionar"; A mensagem da sua obra: "não escrevo para mandar mensagens, mas para contar uma história"; A sua raiz neo-liberal:" neo para quê? Liberal basta"; O futuro da cultura: "se continuarmos a confundir entretenimento com cultura, a profundidade desaparecerá". (...) Felizmente, o reconhecimento da qualidade literária nem sempre tem que estar  subordinado a uma certa agenda política.»

 

Eu: «Actor secundário? Que é isso de actor secundário? Há bons e maus actores, ponto. Este [Eli Wallach] é um dos maiores: entrou num impressionante número de obras-primas do cinema, irradiando na tela o talento forjado nas tábuas teatrais e no curso com Lee Strasberg no Actors Studio. Fez uma parceria antológica com Karl Malden em A Voz do Desejo (Elia Kazan, 1956). Contracenou com Gable, Clift e Marilyn em Os Inadaptados (John Huston, 1961). Teve um papel memorável em O Padrinho III (Francis Ford Coppola, 1990). Participou no fabuloso Mystic River (Clint Eastwood, 2003). Surgiu em westerns inesquecíveis: Os Sete Magníficos (Sturges, 1960), A Conquista do Oeste (Ford-Hathaway-Marshall, 1962), O Bom, o Mau e o Vilão (Leone, 1966), O Ouro de McKenna (Thompson, 1969). Trabalhou com Henry Fonda, John Wayne, Audrey Hepburn, Gregory Peck, Jeanne Moreau, Peter O'Toole, Steve McQueen, Al Pacino e tantos outros. Passou há muito a idade da reforma, sempre em actividade - um grande actor jamais sai de cena. E ele é um grande actor, um dos maiores. Não lhe chamem secundário.»