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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 04.10.20

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Ana Margarida Craveiro: «A única república que eu de bom grado aceitaria está em vigor em países como o Reino Unido, Suécia e Holanda. Ou nos EUA. Um Estado de Direito baseado na liberdade, na igualdade e na auto-suficiência, como definidas por Immanuel Kant. Não reconheço qualquer republicanismo a este regime, excepto a espuma vaga de não ter um rei, e como tal não vejo nada passível de festejos.»

 

João Campos: «Aquele que considero o melhor webcomic que já encontrei, e que leio diariamente, é o Bug Comic. Desenhado por Adam Huber, o Bug Comic consiste num simpático insecto que se vê envolvido nas mais variadas situações. Não existem continuações: cada tira encerra uma história, ou melhor, uma ideia, um conceito que Huber decide explorar com os seus bicharocos. Normalmente, é muito bom - consegue sempre arrancar-me pelo menos um sorriso. Nos dias mais inspirados, cada vinheta tem uma piada individual, todas elas muito boas. Pessoalmente, considero o Bug Comic a melhor comic strip que li desde os tempos de Calvin & Hobbes (que para todos os efeitos é insuperável e insubstituível).»

 

João Carvalho: «Parece que o problema do spreading se tem agravado com o problema do rating e ainda mais com o problema do funding, o que complica o problema do refinancing e dificulta o problema do loaning. Será graving

 

Leonor Barros: «Desconheço o nome da criatura. Apanhei-a pela manhã durante o pequeno-almoço, enquanto cumpria o vício e o ritual de me actualizar sobre o estado do país e do mundo. Dever-me-ei assustar com este gosto masoquista? Dizia então a criatura, e foi logo após as novas medidas do governo Sócrates, que os reformados deviam sofrer mais cortes e isto, segundo a dita comentadora, porque já não tinham encargos com a educação dos filhos e tinham uma redução de despesas. Portanto, e assim sendo, os reformados que não vivem declaradamente pobres ou no limiar da pobreza devem pagar a crise. Já que não têm filhos para alimentar nem para comprar livros nem gadgets nem roupa de marca nem saídas à noite, só têm é que pagar mais do que os restantes cidadãos. Argumento curioso, tão curioso quanto inane e injusto.»

 

Vasco Lobo Xavier: «Uns quantos do costume mais alguns outros bem intencionados andam entretidos a engalanar o país para os grandiosos festejos do centenário da república. Não consigo perceber a alegria nem os festejos. Ao longo destes cem anos republicanos, bem mais de metade do tempo foi passado em regimes não democráticos. A 1.ª república terminou com as finanças em fanicos, dando origem ao Estado Novo, que orientou a 2.ª república. Nem uma nem outra foram exemplos de democracia ou de liberdade.»

 

Eu: «No meio da maior crise financeira de que há memória, o país político prepara-se para comemorar cem anos de república - com maior espavento do que se comemorasse a própria fundação de Portugal. Lamentavelmente, não é preciso ser monárquico para chegar a esta conclusão: há poucos motivos para festejar. Dos cem anos do regime que se comemora, apenas 34 - um terço - decorreram em democracia plena.»