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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 22.09.20

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Ana Margarida Craveiro: «Que o primeiro-ministro não me é propriamente simpático, já toda a gente sabe. Mas confesso que a nossa relação piora quando o oiço dirigir-se a jornalistas. No jornal da hora de almoço de hoje, na SIC, Bernardo Ferrão não lhe fez a vida fácil: as perguntas complicadas sucederam-se, como se espera de um jornalismo que vigia o poder. Em resposta, José Sócrates soltou um dos seus habituais "você queria era isto, você veio com a perguntinha, mas você queria era perguntar", etc. Foi toda uma sucessão de você para aqui, você para ali, numa sucessão de más-criações em ritmo acelerado. Sempre fui ensinada de que não se tratam as pessoas por você, muito menos quem não tem qualquer intimidade connosco.»

 

Filipe Nunes Vicente: «Se supusermos que cada dia é uma unidade finita, que se renova incessantemente, os anos desperdiçados são uma falácia. Esses pedaços de tempo ficaram lá, nos dias que habitaram.  Podem então ser considerados perdidos? Não, porque tal classificação supõe que podem ser recuperados. Não podem: são como a  água que despejamos num rio. Resta saber se podemos considerar a perda. Um velho paradoxo grego explica que ainda temos tudo o que não perdemos (perguntem a um amigo se perdeu recentemente um par de cornos...). As partes da nossa vida, por piores que tenham sido, ainda são nossas. Temos memória, rugas e  úlceras que o podem confirmar. Resumindo: não podemos recuperar o tempo perdido,  porque o tempo não é nosso. O passado, ensinava Séneca, é tudo o que temos.»

 

João Carvalho: «Afinal, a linha de alta velocidade do Poceirão fica (ou ficava) pelo dobro do preço indicado pelo Ministério das Obras Públicas. O ministro Mendonça, claro, já explicou que há o custo das "acessibilidades" (são os acessos) e outras coisitas de somenos que são inerentes à obra. Ora, precisamente por serem inerentes à obra é que fazem parte do custo da obra, não é? Ninguém ergue um hospital a partir do primeiro andar se o vazio do rés-do-chão não tiver uma escadaria ou um elevador de ligação com a parte de cima (a integrar no orçamento da obra), nem se fabrica vestuário sem operários têxteis (cujo salário faz parte do preço da roupa).»

 

Paulo Gorjão: «Amuaste, diz Azeredo 'Calimero' Lopes, com o dedinho em riste, ao mesmo tempo que com a outra mão guarda os berlindes imaginários no bolso dos calções. Ora aqui está, quem sabe, o ponto de partida para mais um belo romance, porventura em parceria com José Rodrigues dos Santos.»

 

Eu: «O Caçador é um filme que começa com um casamento e termina com um funeral - duas faces do mesmo espelho. Mas é um filme que não nos fala de uma América crepuscular: fala-nos de uma América capaz de ressurgir com maior vigor de cada desaire da História, digam o que disserem os críticos acometidos de miopia. Uma América que, para esse efeito, não necessita de heróis: necessita de gente comum. Gente como Linda, Axel, Angela, Steven, John, Stanley e Mike. Gente que trabalha e que se diverte e que bebe cerveja e que vai à caça e que reza e que chora e que ri e que canta God Bless America. Não como um louvor patrioteiro mas como um hino à vida. O que tem duplo valor para quem viu a morte de frente.»


1 comentário

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De balio a 22.09.2020 às 09:41

Sempre fui ensinada de que não se tratam as pessoas por você

Eu trato toda a gente por você. É o equivalente ao Usted espanhol. É a forma normal de se tratar uma pessoa.

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