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Delito de Opinião

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 21.07.20

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Ana Lima: «Nas prateleiras, os bustos de Lenine estão lado a lado com os de Salazar. Mas Lenine tem direito a ter estatuetas que representam a totalidade da sua figura. Santo António está também lado a lado com um dos motivos mais representados: uma cabeça e tronco de mulher com uns seios bem avantajados. E depois há os animais: andorinhas, burros, peixes, rãs, cavalos, mochos. E figuras do imaginário infantil, como anões. Os bustos da República constituem a aposta mais recente. Há que estar a par das efemérides. Mas, num absoluto sincretismo religioso, as N. Sras. de Fátima, os Santos António, as figurações de Jesus Cristo, mas também os Budas e divindades orientais estão sempre no top. Quanto aos bustos de Camões já tiveram mais saída mas mesmo assim convém tê-los sempre à mão. Parece que os turistas gostam.»

 

Bandeira: «Mesmo em Portugal, a experiência de conduzir ouvindo uma senhora a gritar “PORCA! PORCA!” na faixa do lado tem o seu quê de aviltante. Sobretudo quando se possui carta há apenas duas ou três semanas, como sucede com a minha filha. Se eu teria ficado incomodado, imagine a menina, para mais estando o automóvel dela tão lavadinho. Que canhestra manobra poderia ter levado uma senhora com ar de quem esteve presente na inauguração do Martinho da Arcada a comportar-se como um motorista de táxi do aeroporto de Lisboa a quem houvessem pedido uma corrida para, sei lá, a Portela de Sacavém?»

 

João Carvalho: «Dois terços dos serviços violam a lei dos prémios de desempenho e o Estado gastou acima do previsto no Orçamento nos primeiros seis meses do ano. Por outras palavras: o Governo consome mais em lugar de reduzir as despesas e continua a haver na Administração pública quem se vá abotoando à margem da austeridade. São notícias animadoras. É um descanso, não é?»

 

Paulo Gorjão: «Há quem defenda que as propostas de revisão constitucional do PSD, independentemente dos seus méritos, pecam pelo timing. Estou em total discordância, na medida em que considero o timing certo. Ainda no primeiro semestre da sua presidência, Pedro Passos Coelho marca a diferença programática. Mais importante, Pedro Passos Coelho arruma desde já o assunto da revisão constitucional. No próximo Verão não haverá distracções.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «É evidente que o texto constitucional não é imutável, não é um monólito que está ali para ser venerado pelos portugueses. Mas se na sua essência ele tem correspondido ao que dele se esperava, se tem servido e servido bem a causa da democracia e se não é por via dele que o país não funciona ou funciona mal, por que razão se haveria de mexer nele agora e da forma que Passos Coelho pretende fazê-lo?»