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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 08.11.19

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Ana Margarida Craveiro: «José Sócrates vê-se rodeado de processos de corrupção. O seu nome aparece, consecutivamente, ligado a estranhos casos. Por coincidência, a sua família e amigos parecem condenados a irregularidades e trocas inexplicáveis de dinheiro. José Sócrates não tem nada a ver com estas confusões. Eu gostaria também de pensar que isto é tudo uma questão de azar.»

 

Ana Sofia Couto: «Filme de culto do terror científico, passou ontem (corrijo: hoje, porque ainda é domingo) no Estoril Film Festival. Refiro-me a Videodrome, obra de David Cronenberg. Enquanto escrevo, lembro-me do momento em que se fala de catarse como possibilidade de cura pela ficção, e a observação de alguém que diz que isso não passa de um conjunto de "ideias superficiais". Como se Cronenberg pretendesse fazer justamente isto: questionar ideias feitas sobre o modo como os seres humanos reagem a certas coisas. Ao cinema, por exemplo.»

 

João Carvalho: «Corrupção, escutas, compadrio, processos, descrédito, investigações, inquéritos, suspensões, interrogatórios, detenções, arranjismo, prisões... Notícias atrás de notícias, há qualquer coisa neste país que me recorda A Canção de Lisboa: a zanga entre o Vasco (Vasco Santana) e a Alice (Beatriz Costa) na cozinha, com pratos partidos e massa tenra pelo ar.»

 

Leonor Barros: «Se a arte imita a vida ou a vida imita a arte é tão discutível como nos perdermos em considerações sobre o ovo e a galinha. Tenho, não obstante, como certo que coexistem numa relação absoluta de interdependência e que os contextos sociais e políticos são muitas vezes impulsionadores de novas correntes literárias ou tendências.»

 

Paulo Gorjão: «Acontece que este é o nosso dia a dia. A suspeição permanente. Há uma degradação muito acentuada na confiança que temos nas pessoas e nas instituições. Isto, sim, é um sinal muito perigoso de asfixia. De asfixia do regime democrático e, em última instância, de asfixia colectiva no seu todo. Um país irrespirável não tem futuro.»

 

Teresa Ribeiro: «É dia de as levar a passear. Novos e velhos igualam-se na abnegação com que as conduzem corredor acima, corredor abaixo, alheios às montras e àquele linguajar contínuo que os entorpece. Caminham com um dos braços estendido, a cingir-lhes os ombros no que começou por ser uma atávica marcação de território e depois evoluiu para a mansa assumpção da convenção de que fica bem, ao domingo, passeá-las à trela pelo centro comercial.»

 

Eu: «Por muito que queiramos fechar os olhos a estes factos, em nome do relativismo cultural, do respeito pelas "tradições islâmicas" ou do longo cortejo de "pecados do homem branco" em África que jamais deixam de ser expiados, eles existem. Teimosamente, persistentemente, existem. E conseguem por vezes até ser transformados em notícia, apesar de não ser rara a execução dos mensageiros. E não se passam num tempo remoto, envolto em trevas medievais, algures num inacessível reino de pesadelo: estas violações diárias dos mais elementares direitos da espécie humana ocorrem no mesmo instante e no mesmo planeta em que esgotamos a nossa indignação a clamar contra o milho transgénico ou os animais de circo.»



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