DELITO há cinco anos

Cristina Torrão: «O disparate de não podermos votar por correspondência aumenta de dimensão em tempos de pandemia. O consulado de Hamburgo, por exemplo, além de não ser espaçoso, fica num 4º andar. Em caso de grande afluência, como organizar a fila de espera?»
JPT: «Em 1994 durante meses trabalhei na missão de observação eleitoral das primeiras eleições democráticas na África do Sul, nas quais Mandela ascendeu a presidente. Foi um período magnífico! Se conflitos e temores subsistiam tudo isso coexistia com o enorme alívio no final daquela maldita ditadura racista e uma alegria esfuziante no dia-a-dia, traduzindo uma vaga de esperança em melhores futuros.»
Eu: «Quase 200 vítimas mortais todos os dias em Portugal, só devido à Covid-19. Somos já o país do mundo com maior número de novas infecções e o quarto também à escala global com mais óbitos per capita. Temos mais mortos por milhão de habitantes do que os EUA. Enquanto este drama sem desfecho à vista assombra o quotidiano de milhões de portugueses, algumas microcaravanas presidenciais andam por aí preocupadas com batons. Não pode haver maior indício do abismo que existe hoje entre políticos e pessoas comuns. Esta gente não se enxerga?»
