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De Sidónio a Marcelo

por Pedro Correia, em 10.03.18

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«Precursor do que não sabemos,

Passado de um futuro a abrir.»

Fernando Pessoa, À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais

 

A monarquia tem uma indiscutível vantagem comparativa sobre a república no imaginário popular. As meninas e os meninos - de todas as idades - ainda hoje sonham com príncipes e princesas. O regime republicano tentou reconverter símbolos monárquicos ao inventar conceitos como "primeira dama" ou "primeiro cavalheiro", com insucesso generalizado. E, já agora, experimentem dizer a alguém de quem gostam muito: "Tu és para mim como a filha do presidente da república." A reacção será gélida ou de escárnio, compreensivelmente.

Esta vantagem existe a outro nível: um rei ou uma rainha são conhecidos, urbi et orbi, só pelo nome próprio. Sem necessidade de apelidos "legitimadores". E, em regra, nome de rei nunca deixa de estar na moda através dos séculos. Basta lembrar os nossos: do Afonso ao Luís, do João ao Duarte, da Maria ao Manuel. Digo-vos eu, que sou Pedro Miguel (ambos nomes de reis).

 

Mais de cem anos de república deram-nos dezanove chefes do Estado. Mas apenas dois conhecidos pelo nome próprio: o primeiro foi Sidónio, que não por acaso Fernando Pessoa crismou de Presidente-Rei, brevíssimo líder tombado às balas de um assassino, decorrerão em Dezembro de 2018 cem anos exactos; o segundo é o actual inquilino do Palácio de Belém.

Marcelo, apenas Marcelo. Para sempre Marcelo: assim falarão dele os futuros manuais de História.

Entrou ontem no terceiro ano do seu mandato. Que tem sido um mandato feliz, sempre próximo do comum dos portugueses, que o distinguem com a mais franca e calorosa das homenagens, tratando-o pelo primeiro nome.

Em nada diferente dos nossos reis de melhor memória.

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42 comentários

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De Beatriz Santos a 10.03.2018 às 16:15

Creio que o presidente Marcelo seja assim por natureza. Não consegue estar quieto ou calado, rabeia por todo o sítio. É um bom comunicador, gera empatia, tem discurso agradável seja em serviço oficial ou oficioso. Em termos políticos, as coisas boas são o nosso presidente e a longevidade da geringonça.
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De Vlad a 10.03.2018 às 17:33

O país apodrece na longevidade....Pontes, sem rebites. Estradas, de buracos. Escolas, sem aquecimento. Hospitais, sem camas. Policia, sem carros. Bombeiros, gordos...valha-nos Deus ser português.

O Povo, esse, dormido pois, pinga-lhe no bolso e não no quarto.

Portugal deveria fechar para obras

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De Pedro Correia a 11.03.2018 às 09:52

Devemos ver o copo meio cheio. Somos o país da Europa com mais rebites a cair das pontes.
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De Beatriz Santos a 11.03.2018 às 10:14

Concordo com a parte dos revezes para que os goernantes parecem não olhar. Extensivo a todos os que exigem isto e mais aquilo como se sejamos um país rico em vez de um rico país com poucos recursos económicos prolífico em desgraceiras e falcatruas a que governos e desleixo em geral ajudam qb.

Não se pode fechar um país para obras. E o povo continua inculto e ignorante. Convém, é mais moldável.
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De Pedro Correia a 11.03.2018 às 13:55

Façamos um simples exercício intelectual: recuemos cem anos. Que perspectiva de vida teríamos se tivéssemos nascido em 1918 - o ano em que terminou a II Guerra Mundial, com o seu cortejo de 20 milhões de mortos e em que a gripe matou pelo menos 60 mil portugueses?
Melhor que a actual?
Nem por sombras.

Recuemos 50 anos. Tínhamos melhores perspectivas no mundo de 1968?
Nada disso.

O mundo pula e avança. Digam os profetas da desgraça o que disserem.
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De Vlad, o Emborcador a 11.03.2018 às 14:10

Compadre, como é bom teclar depois do almoço!

Pela sua lógica podia-se argumentar a favor da Guerra com base no número de mortos ser sempre inferior ao dos sobreviventes

E andando para trás que bom é viver hoje se já nem existe gripe espanhola. E mais para trás que bom são os tempos modernos se já nem moramos em cavernas. E andando mais para trás que sorte têm os saídos dos testículos....

O protesto é dos mal agradecidos. ....consolida filho.
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De Pedro Correia a 11.03.2018 às 14:16

Esse paleio nem parece pós-almoço. Caiu-lhe mal o repasto ou ainda está em jejum?
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De Vlad, o Emborcador a 11.03.2018 às 15:18

Porra...adivinhou!

Estava à espera de meia dose de cabrito. 10€. E o homem cego de um olho , dono da tasca, com idade já para descansar, mas obrigado até ao último dia a trabalhar, ainda teve o desplante de me perguntar se queria recibo.

"Não meu senhor! Quero tão só o cabrito"

Isto do progresso é benção apenas para alguns
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De Pedro Correia a 11.03.2018 às 16:38

Você anda a comer em tascas caras. Hoje, numa tasca alfacinha, almocei um arroz à valenciana muito recomendável por 5 euros.
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De Beatriz Santos a 11.03.2018 às 22:20

Julgo que os pulos e avanços do mundo são em todos os sentidos e que o progresso arrasta muitos pólos negativos, como sucede por exemplo a nível ambiental. Mas há mais.
Fico contente em não ter vivido em 1920, de certeza morria com a gripe. Mas em 1968 o mundo parecia-me bem mais simpático que hoje:). Até por não pensar em longevidade. Contudo, a nível familiar foi um ano muito difícil, nada de voltar atrás.
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De Pedro Correia a 11.03.2018 às 22:25

Estou consigo, Beatriz: nada de voltar atrás. Olhemos em frente.
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De Beatriz Santos a 12.03.2018 às 23:38

:)
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De Vlad, o Emborcador a 11.03.2018 às 15:48

Beatriz, pode ser-se inculto e não ser do povo? E ser-se do povo e culto? Desculpe a pergunta mas não sei onde hei-de pôr -me? Serei de uma classe sem passado histórico?

Beatriz, sabe o que é uma Cabeça de Ife? Tem 10 segundos para responder! Não pode ter ajuda do público! Assim, de chofre...vá
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De Beatriz Santos a 11.03.2018 às 22:11

Assim de chofre e sem pensar, a resposta às duas primeiras interrogações é positiva. Desconheço classes sem passado histórico, acabadinhas de nascer, ora eu para novidades não sou muito lesta. Mas uma cabeça de Ife nunca vi ou ouvi falar, tem a certeza que não inventou agorinha?
espero ter cumprido com o timing
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De Pedro Correia a 12.03.2018 às 13:05

Claro que um país não pode fechar para obras. Desde logo porque existem as cativações.
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De Pedro Correia a 10.03.2018 às 22:31

Marcelo é como é: genuíno. Sente-se bem na sua pele e não o esconde. Alegre, extrovertido, comunicativo. Num país em que é hábito e vício exibir-se a tristeza e a melancolia como imagem de marca, isto só pode fazer-nos bem.

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