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De cabeça erguida

por Leonor Barros, em 10.07.15

Tenho andado aqui a digerir a polémica em torno do aparecimento da mulher de Passos Coelho sem cabelo e sem peruca num evento oficial. Confesso que a minha primeira reacção foi 'caramba, mas ela não podia ser mais discreta? Há alguma necessidade de se expor desta maneira?' Depois disto, recolhi-me no meu canto, ouvi opiniões sem fim, que como se sabe somos muito opinadores, e comecei a pensar que o desconforto era mais meu, meu apenas pelo horror que sempre me provocam estas situações. Infelizmente não faço parte daquele leque de pessoas preparadas a priori para lidar com a doença e a degradação e sei bem como se morre de cancro, sem essa história ridícula de chamar a todos guerreiros. Cada um luta como sabe e pode. Acredito piamente que todos lutarão enquanto souberem que vale a pena e que sentirão quando chegou o momento de descansar, não de desistir. Descansar. Não vejo razão por que a mulher do PM se há-de cobrir. Tem cancro. Assumiu. Não tem de ficar em casa para nos poupar ao desconforto e não tem de usar peruca pela mesma razão. A vida é o que é.Tiro-lhe o chapéu pela coragem, isso eu sei, porque se tal me acontecesse/acontecer duvido que deixasse que alguém em público me visse careca. 


24 comentários

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De Leonor Barros a 10.07.2015 às 22:43

Exacto. Já basta a doença. Este ditame de que as pessoas têm de se esconder ou usar algo que disfarce a sua condição passageira é profundamente cruel. Perguntei-me também, se, por exemplo, fosse a Michelle Obama as pessoas reagiriam com tanto ressentimento. Odeio este governo mas o aproveitamento político é irritante e despropositado.
Que tudo continue a correr bem consigo.
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De marcolino calvo a 10.07.2015 às 23:01

Obrigado,retribuo.
De facto isto não deve ser misturado à política vigente ou oposta,está para lá.
Nem imagina como tal visão me foi benéfica,nunca precisei de drogas psi,apesar do sofrimento físico que estas tramóias provocam.
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De Leonor Barros a 10.07.2015 às 23:12

Felizmente. É importante termos os nossos mecanismos de reagir à adversidades. Às vezes vêm um bocado connosco, outras são apenas estratégias de superação. O que eu tenho a certeza absoluta é que ninguém tem o direito de julgar. Neste caso, ainda não entendi o que queriam, se obrigar Laura Ferreira a usar peruca ou a ficar em casa. Qualquer uma delas me parece de um egoísmo extremo e alguma desumanidade.

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