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Das consequências não antecipadas

por José António Abreu, em 13.10.15

Parece que há quem tenha votado no PS convencido de que este nunca se uniria ao Bloco e ao PC. Algumas destas pessoas - Luís Aguiar-Conraria, por exemplo - têm vindo a mostrar desagrado pelo comportamento de António Costa. É de alguma utilidade que o façam mas não me peçam simpatia. Antes das eleições, Costa nunca terá afirmado taxativamente poder vir a formar governo em coligação com ou apoiado parlamentarmente pela esquerda (ainda por cima, depois de as perder). Mas, da Grécia às obras públicas, Costa disse tudo e o seu contrário sobre todos os assuntos. Costa rasgou um acordo que estabelecera de livre vontade com António José Seguro para correr com ele da liderança do partido. Costa rasgou um acordo (para a reforma do IRC) que o PS estabelecera de livre vontade com o governo. Costa recusou sempre fazer uma avaliação crítica dos governos socialistas chefiados por Sócrates. Costa apresentou-se como líder de confiança mas ameaçou rejeitar um orçamento antes de o conhecer. Costa distribuiu cordialidade e sorrisos quando em ambiente controlado e mostrou os dentes quando apanhado desprevenido.  Costa foi - é - o político de carreira que tantos acusaram Passos Coelho de ser (e se podem atribuir-se a Passos ideias liberais - muito mais do que práticas -, a Costa é impossível atribuir uma ideia que seja). Costa foi invariavelmente aquilo que os seus adversários disseram dele e apenas interesses próprios, ingenuidade atroz ou teimosia (nuns casos decorrente de «clubismo», noutros de uma recusa primária em avalizar a política da coligação) terá levado ainda tanta gente a votar num Partido Socialista liderado por ele. Vários dias antes das eleições, escrevi: Talvez a maior façanha de António Costa nesta campanha: ter cingido as opções de voto útil de qualquer pessoa sensata à que poderá evitar a chegada ao poder do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda. Muita gente optou afinal por não a excluir. Não me venham agora com lamentos.


10 comentários

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De lucklucky a 13.10.2015 às 12:22

"É de alguma utilidade que o façam mas não me peçam simpatia."

Precisamente. Quem votou neste PS de Costa merece o que receber.

Costa e boa parte da esquerda são bem descritos por uma frase empregue em ciência: Not even wrong.
Como defendem tudo e o seu contrário por ex: estão contra a dívida mas a favor do défice então o que dizem não é falsificável.
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De William Wallace a 13.10.2015 às 12:54

Provar do próprio veneno talvez seja bom para o PAF , para Portugal será indiferente, a abstenção comprova-o.

As pessoas não querem saber porque estão de tal modo causticadas que já não sentem, o egoísmo que já existia foi exacerbado nos últimos 4 anos e neste momento vivemos aquela etapa tiririca , vota em mim pior não fica.

Que António Costa (e o PS) é como descreve nada a opor mas os exemplos do outro lado não são melhores, nalguns casos são até piores por isso o PAF terá de sair da sua zona de conforto, deixar de ser piegas e empreender novos caminhos.

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De jo a 13.10.2015 às 12:56

A presente confusão serve para se ver bem a gente tacanha que nos (des)governa.

Cavaco Silva disse que não dava posse a um governo minoritário. Pensou estar a condicionar um PS encurralado entre uma esquerda intransigente e a PÀF. Sendo um economista austeritário está habituado a não prever cenários alternativos, pois pensa que a razão está com ele, mesmo que a realidade não esteja. Agora arrisca-se a ter de fazer mais umas piruetas políticas. Faz pena ver uma pessoa com tantos anos disto andar em números circenses.

A PàF tem que se convencer que uma maioria relativa NÃO é o mesmo que uma maioria absoluta e não basta dizer que os outros são maus, tem de procurar consensos (custa muito quando não são eles a impor, mas paciência).

Quanto ao medo dos mercados ele é autossustentado: quanto mais medo temos deles mais perigosos são. Dito de outra maneira (quanto mais te baixas mais se te vê o dito...).

Os mercados não são entidades independentes. Grande parte dos problemas que o Siryza teve na Grécia resultaram de ações concertadas do BCE e do Eurogrupo para provocarem agitações nos mercados. Como estes grupos não são politicamente neutros, o que está a dizer é que a nossa política interna tem de ter a que convém a estrangeiros que ninguém elegeu.
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De jo a 13.10.2015 às 13:01

Realmente depois desta atuação de Costa só podemos ter como governante aquele caramelo que disse em 2011 que o governo de então aplicava demasiada austeridade, que se fosse ele não haveria cortes do 13º mês e que tinha tudo estudado para não existiram cortes no Estado Social. Melhor que um homem sem palavra só um quem tem dúzias delas.

Mas não há problema porque é um governo irrevogavelmente sério.
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De cristof a 13.10.2015 às 16:29

Responsabilizar os eleitores pelas opções que tomam é do mais elementar bom senso e urgente para que a democracia evolua.
Como diz o cartaz e bem: quem vota em corruptos/aldrabões/troca tintas/líricos.. não é vitima, é cumplice!
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De queima beatas a 13.10.2015 às 17:40

Eco precoce do jornal da noite para quem me faz lembrar o conhecido emplastro a pôr-se á frente ao empurrão:
Pede sem mãos a medir, ainda e nunca aceitará seja o que for gritando sempre por mais, porque o que quer mesmo é deitar as mãos á gamela. Deixem-no a falar sozinho que acabará por conseguir o supremo do contorcionismo circense. De tanto abrir a boca acabará por se estatelar por esse buraco dentro dele próprio. Até logo á hora da comunicação atrelada e manhosa.
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De V. a 13.10.2015 às 18:04

Costa pensa que pode mandar no País como manda em Lx. Mas está muito enganado. Em Portugal ninguém quer saber dele, o resto de Portugal não é a câmara comuna e empregados de escritório que precisam se reformas acima do wue alguma vez produziram nem das benesses do poder. Se Costa e os comunas usurpararem o poder com um governo que não respeita os resultados eleitorais o resto do País vai fazer-lhes guerra feia. A interpretação de que existe uma maioria de Esquerda não lhe compete nem pode ser extraída do escrutínio. Estes fdp querem fazer disto uma colónia de tolos em fazer interpretações conforme lhes convém mas isso não é assim. Os resultados são absolutos por isso mesmo: para não haver interpretações falaciosas como o gordo Nero quer agora fazer. Se usurparem o poder preparem-se para a guerra porque não vão ter paz. Portugal não vos pertence.
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De William Wallace a 13.10.2015 às 19:13

Mas você acha que alguém se importa com o que acontece !

A malta quer lá saber do Passos e do Costa para alguma coisa, acha que alguém se vai dar ao trabalho de fazer seja o que for, se nem votar foram.

Ganhe Juízo (e os outros também), se queriam ter legitimidade alguma, não tivessem feito as poucas vergonhas que fizeram nos últimos 4 anos.

Para se ser de direita (ou esquerda) ou alguma coisa na vida não basta agitar bandeirinhas, é preciso ter princípios e respeitá-los, depois da palhaçada do irrevogável (que também apunhalou Manuel Monteiro pelas costas) porque não dar palco á esquerda "radical" que aparentemente só pretende defender alguma social democracia.
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De V. a 13.10.2015 às 20:14

Todas estas "poucas vergonhas" dos últimos 4 anos, como lhes chamou, foi para salvar o estado social e a função pública. Não houve sequer reforma nenhuma. Até governaram à esquerda, poupando cortes. Se fosse eu a mandar nesta merda, 75% da FP estava no olho da rua e metade das autarquias tinham desaparecido. EU até votei CDS porque eram os únicos que tinham a redução do mapa autárquica no programa eleitoral. Mas os cobardes desistiram da ideia. O problema de Portugal mantém-se: o Estado (FP + Poder Local) tem de ser reduzido em 75% e tem de ser imposto um tecto máximo de pensões para 2500 euros pelo menos por duas ou três décadas. Isto se quiserem manter os hospitais, escolas e o apoio social a funcionar porque de outro modo não há equilíbrio possível. Idealmente todos os que sairem da FP criam o seu posto de trabalho e a economia dinamiza-se pelo lado das micro empresas criando um tecido social mais vibrante do que a actual que padece da bonomia indiferente e salobra do funcionalismo público. Daqui a 10 anos a população activa será 40% ou menos dos habitantes. Podem fazer peripécias que entenderem, caçar a fortuna ao Belmiro como quer o BE, etc etc mas não chega: contas são contas. Os números só mentem quando o PS o BE ou o PCP se lhes chegam perto.
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De William Wallace a 13.10.2015 às 23:07

Está a ver como me dá razão !

Eu provavelmente não seria tão drástico mas haveria aí muito empresário encostado na mama do Estado que teria de fazer pela vida, já os autarcas também, etc.

E digo mais, com as capacidades tecnológicas de hoje era facílimo controlar quem está a fazer asneiras e a esturricar dinheiro de impostos em actividades que não servem para nada e mesmo as que servem tinham de ser escrutinadas ao cêntimo.

Mordomias e afins, tudo para o galheiro , horários de 40 horas para todos e impostos sobre os subsídios de férias e Natal para aprenderem a não embarcarem em contos parisienses.

Claro que cortes em pensões / subsídios / vencimentos só deveriam ocorrer depois dos lobbies das PPP , ENERGIAS, MÁQUINA DO ESTADO, FUNDAÇÕES e demais sangue sugas dos ESTADO NAÇÃO terem sido exauridos de poder.

Mas isto era o programa do PAF (em traços gerais) em 2011 por isso é que ganhou, mas não fizeram nada , nadica de nada, aumentar impostos e baixar salários qualquer um sabe e se era para isso mais valia ter entregue logo isto aos Espanhóis como o Costa vai fazer (nesta altura do campeonato todas as conjecturas são plausíveis ).

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