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Da tristeza

por Teresa Ribeiro, em 09.07.15

Nos tempos que correm vigoram leis de comportamento muito rígidas. Quem faz questão de alinhar o pensamento pelas tendências da moda Primavera/ Verão e Outono/ Inverno dos últimos anos não pode ser pessimista, nem velho, nem inseguro, nem piegas, nem triste. De todos estes ditames o que mais me incomoda é o que proibe a tristeza.

No esforço por sermos optimistas até reconheço um efeito terapêutico. É assim uma espécie de pilates para a amígdala. A negação do envelhecimento, não sendo das atitudes mentais mais saudáveis, tem efeitos colaterais coloridos que não trazem mal ao mundo. O combate à insegurança e à pieguice admito que pode fazer muito pelo nosso tónus emocional, mas a tristeza, senhores? A tristeza é uma necessidade. E é uma necessidade porque representa sempre um luto. O luto de uma alegria que nunca se chegou a ter ou que se perdeu.

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13 comentários

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De Leonor Barros a 09.07.2015 às 17:34

Concordo contigo, Teresa. O direito à tristeza deve ser inalienável sob pena de sermos uns 'patetas alegres'. Não há nada que me irrite mais do que a conversa de que 'não podes ficar assim'. Se eu não ficar 'assim', entenda-se triste, nunca poderei na plenitude ser eu e sorrir e gargalhar numa outra altura. Como dizes, é um luto e como tal terapêutico. Beijo, miúda.
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De Teresa Ribeiro a 09.07.2015 às 23:03

Deixa-me cá pôr os óculos: És mesmo tu?! Viva!
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De Pedro Correia a 09.07.2015 às 17:48

De acordo, Teresa. Tocas num ponto que se tornou quase tabu nas sociedades contemporâneas. Agora até os funerais são cheios de vivas e palmas e muito barulho. Deixaram de ser momentos de recolhimento: como se a dor fosse obscena.
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De Teresa Ribeiro a 09.07.2015 às 23:04

Agora são primeira página das revistas cor de rosa. O que eu embirro com essas "reportagens!"
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De Bandeira a 09.07.2015 às 19:45

A gente lê Camilo e percebe logo a falta que a tristeza nos faz (ou a prima dela, a melancolia). Mas é como dizes. Ai de quem der parte de fraco.
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De Teresa Ribeiro a 09.07.2015 às 23:06

Agora a moda chegou aos estados de alma. Estar triste está out (que falta de pachorra!)
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De sabidoria da berma a 09.07.2015 às 20:20

Como valorizaríamos os momentos de plenitude ou mesmo de pequenos prazeres
sem o respectivo contraponto? Mas há sofrimentos que diríamos escusados.Não sei porque os deuses assim criaram as coisas.
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De da Maia a 09.07.2015 às 20:23

Muito bom de se ler, Teresa.
E quando a tristeza chega, de mansinho, sem avisar, num momento de alegria... talvez porque se sabe que aqueles instantes vão terminar.
É uma espécie de mistura agridoce, e alguém vem perguntar-nos "o que se passa?", e dizemos "nada", com um sorriso intemporal, daqueles que uma mera alegria nunca conseguiria transmitir.
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De Teresa Ribeiro a 09.07.2015 às 23:34

Os militantes da "felicidade técnica" não sabem o que perdem :)
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De Ana Vidal a 10.07.2015 às 17:07

Tão bom voltar a ler-te.
(espero que não tenhas tirado os óculos ainda...)
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De José Vieira a 13.07.2015 às 17:08


É a atual democracia no seu melhor, onde tudo é, ou branco, ou preto e onde todos os tons de cinzento foram irremediavelmente suprimidos, coitados dos hoje em dia, pensam e atuam de modo diferente.

Provavelmente isto será conversa de velho, mas uma das coisas que me afligem nas novas gerações; tem que ver precisamente com o conformismo e a incapacidade de desbravarem novas ideias e caminhos.

A coisa resume-se demasiadas vezes, pelo menos mais do que eu gostaria, á aceitação resignada, porque só pode ser assim e portanto é comer e calar e isso preocupa-me e muito.
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De Jose Vieira a 13.07.2015 às 17:18


Esquece o comentário anterior, é o que faz fazer várias coisas ao mesmo tempo...

A tristeza, tal como a velhice, a falta de beleza, a infelicidade e outras definições que atualmente fazem parte da felicidade, estão definitivamente fora de moda para os que contam, os outros que se Fo... e não se toleram divergências.

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