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Delito de Opinião

Da Ternura

Francisca Prieto, 05.01.15

Toca do Vinicius.JPG

Ouvi de fugida, enquanto passava defronte da televisão com a travessa do peru, o cerne da mensagem de Natal do Papa Francisco para este ano: Ternura.

Comoveu-me pela sua simplicidade e pelo tiro certeiro. Nada de metáforas complicadas em cartas de São Paulo aos Coríntios. Simplesmente ternura. Num ano que me foi particularmente complicado e em que foi a ternura da família e dos amigos que me salvou, não poderia achar de somenos.

A palavra acompanhou-me uma série de dias, como acontece muitas vezes com coisas que nos reconfortam.

Logo a seguir ao Natal, foi a prietada toda para o Rio de Janeiro. Numa noite, à vinda do restaurante, paramos na Toca do Vinicius, uma discaria para os conhecedores, à antiga, onde se encontram exemplares em vinil com João Vilarett a declamar poesia brasileira. À frente de uma loja destas está sempre uma grande figura, não há hipótese. Porque são negócios que vivem do amor. De maneira que lá apareceu o avô Carlos (nas suas palavras), que assim que viu a Xiquinha, a minha filha dos cromossomas a mais, encarnou as palavras do Papa Francisco, e a transbordar ternura foi buscar a correr um CD com músicas infantis do Chico Buarque e do Vinicius.

Agradecemos efusivamente e oferecemo-nos para lhe mandar música portuguesa actual. Respondeu-nos a rir, dizendo que preferia que lhe levássemos uma alheira.

Saímos comovidos, eu com um bocadinho de inveja, confesso, porque também queria ser pequenina e ter um senhor a oferecer-me canções do Chico e do Vinicius.

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