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Delito de Opinião

Da saudade

Joana Nave, 12.02.18

Saudade, não da dor que perdurou, até que o tempo a disfarçou com dias de sol e conversas animadas, onde os risos tomaram o lugar da amargura. Saudade de um dia ter tido o que hoje não volta, de ter sentido o que hoje é apenas fragmento de uma memória eterna. É um sentimento atroz este que nos persegue por toda uma vida, que é um rasto que deixamos e que nem os muitos ventos apagam, que se faz sombra para sempre e que reside naquele cantinho secreto da memória, onde guardamos as lembranças ténues da vida singular que sonhámos ter. Tudo o que nos marca profundamente reside em nós até deixarmos este mundo, e talvez até depois continue a acompanhar a nossa alma. Saudade de ter sonhado e hoje a realidade se apresentar tão distinta, tão mais cruel. Saudade da inocência que alimenta o desejo de sermos o que sonhamos, de acreditarmos que podemos mudar o mundo, concertando o que está mal. E agora que acordo para o dia que se me apresenta, invade-me um misto de raiva e desalento, por não ter forças para mudar nada do que está terrivelmente errado.

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