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 Apresentadora da RAI3, com um dos seus célebres decotes/Foto actualizada

 

Segundo aquilo que se leu na imprensa, desde a semana passada que vigora um novo código de indumentária na RAI (televisão pública italiana), para que as suas pivots de informação tenham “uma imagem mais recatada, menos provocadora”. Decotes, vestidos justos e outros trajes que possam ser considerados mais arrojados estão proibidos. Em qualquer outra televisão pública europeia ou de outra parte do mundo esta medida até passaria despercebida e até poderia ser compreensível. Mas fazer isto na RAI é quase o mesmo que vestir uma tanga ao David de Miguel Ângelo. 

 

A Itália é um país fascinante a vários níveis e a RAI é também um pouco o espelho da realidade daquele país, com tudo o que tem de bom e de mau. A arte, a história, a cultura, a beleza, a elegância, o prazer, a gastronomia, a paisagem, tudo se conjuga de uma forma desorganizada, mas ao mesmo tempo irresistível. E com a política italiana passa-se o mesmo. Apesar de, por vezes, ser dominada por uma total ausência de ordem e lucidez, a verdade é que é impossível ficar-se indiferente ao que por lá se vai passando. De certa maneira, assemelha-se a uma arena romana que vai servindo para entreter o povo, onde tudo é possível, mesmo as maiores barbaridades, mas os aplausos não deixam de soar.

 

Em Itália tudo é vivido com intensidade, paixão e irracionalidade, para o melhor, mas também para o pior. Nada é inconsequente. Só em Itália se encontram fenómenos como o da deputada Cicciolina (hoje seria apenas uma pequena excentricidade, mas como explicar uma coisa destas ainda nos anos 80?) ou de Silvio Berlusconi (imagine-se, o político que se manteve durante mais tempo no cargo de primeiro-ministro desde a II GM). Ou nos anos mais recentes, o da ascensão meteórica de um palhaço (no sentido literal) na cena política transalpina. É por isso que o sistema político italiano é um autêntico laboratório. Em Itália tudo é possível e tudo é aceite com a maior das normalidade. Regras e normas ficam para os europeus "normais", já que os italianos preferem a incerteza do dia seguinte e a animação da anarquia sistémica. Mas, o curioso é que o sistema político italiano lá vai funcionando. À sua maneira, é certo.

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8 comentários

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De Leitor Atento a 07.06.2016 às 15:08

Este texto mereceria um comentário longo, mas é suficiente isto:
1. Curiosamente, esse novo dress code é imposto por uma mulher e de esquerda, o que diz tanto da esquerda actual e das suas confusões em matéria de costumes... E curiosamente essa mulher alcançou o sucesso como apresentadora do primeiro Big Brother italiano...
2. Pelo que consta, o dress code será limitado às apresentadoras do telejornal da Rai 3 (equivalente a RTP 2).
2. Seria bom que os jornalistas (do i no caso) e os leitores se informassem bem antes de opinarem. A foto que ilustra o texto (e o mesmo acontece no i) não é de uma apresentadora, mas de uma “show girl” que nem italiana é (é argentina) e que ganha a vida a mostrar o corpo. Tanto quanto sei, nenhuma apresentadora da Rai 3 se veste assim. A ilustração que acompanha o texto muda a percepção que se tem da notícia.
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De Alexandre Guerra a 07.06.2016 às 18:30

Caro Leitor (não assim tão) Atento,

o assunto foi reportado em vários meios de comunicação social nacionais e internacionais e não apenas no i (basta consultar os links em baixo). E o que é referido neste post são "pivots de informação" da RAI, o que inclui a RAI3, mas também a RAI Parlamento que, segundo se lê, também foi abrangida por este novo dress code. Mas tem toda a razão quando diz que a RAI3 é uma espécie de RTP2... Permita-me apenas que discorde num ponto: é que eu na RTP2 não vejo decotes como aquele que pode ver na foto actualizada que coloquei no post.

Cumprimentos
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De Leitor Bem Atento a 07.06.2016 às 20:44

Por acaso sou bem atento. Ao contrário do que sugere (“o assunto foi reportado em vários meios de comunicação social nacionais e internacionais e não apenas no i”), eu não disse que apenas o i reportava a notícia (leia bem o que escrevi). O que eu disse foi que a foto (fosse no blog, fosse no i, do qual o blog dependia) induzia em erro porque não era de uma apresentadora. Folgo no entanto em saber que andou à procura por essa internet fora de fotos que comprovassem que as pobres apresentadoras da RAI 3 se apresentam em trajes com amplos décolleté. É pena é que tenha arranjado uma foto de um programa que não é telejornal... o Apprescindere não é um bloco noticioso e portanto continua a induzir em erro. É pois melhor mudar outra vez a foto.
Mas não seja por isso: na RTP (informação, por exemplo) também se encontram exemplares ousados (não tive tempo para mais):
https://educar.files.wordpress.com/2012/04/100_8941.jpg
ou alargando o leque a programas de variedades e da RTP (memória):
https://i.ytimg.com/vi/3dOvOrcTTLQ/hqdefault.jpg
http://2.bp.blogspot.com/-AjfiJN9NqhA/U86gGkY4aII/AAAAAAAAhUw/ulRkLeYLw5s/s1600/53c1668897d9d.jpg
Afinal, um italiano até poderia pensar que não há grandes diferenças entre o seu país e Portugal, no que diz respeito ao vestuário das apresentadoras (mas não era isso que eu queria sugerir nos meus três pontos do comentário).
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De Alexandre Guerra a 07.06.2016 às 21:10

Na verdade, caro Leitor Atento (já que insiste), fiquei sem perceber qual o seu ponto de vista no comentário inicial. De qualquer forma, falar em "ousadia" e RTP é algo que não combina. E admito que não tenho capacidade para fazer qualquer exercício comparativo de "decotes" entre RTP e RAI. A minha imaginação não chega a tanto... Mas agradeço este seu contributo, já com a saudade de alguns decotes italianos...esperemos que a moda não pegue noutras paragens.
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De Leitor Atento a 07.06.2016 às 23:01

Para bom entendedor, meia palavra basta. Os meus breves comentários pareciam-me claros. Com o ponto 3 apenas queria dizer que me parece um erro inferir de uma notícia, à qual é anexada uma foto que nada tem que ver com a notícia, que em Itália se passa algo de extraordinário, i.e. que as apresentadoras se vestem de forma diferente do que acontece noutros países, por exemplo, em Portugal, e que usam decotes profundos a chegar ao umbigo ou minissaias que vão até às axilas (uso duas expressões italianas). Ou seja, o seu texto sobre a excepcionalidade da cultura e política italianas – e não está em causa que de facto haja uma excepcionalidade em certas atitudes, como o de candidatar uma actriz porno, como refere no seu texto – partia de uma premissa errada, que as apresentadoras “se apresentam” de forma mais ousada do que em Portugal. Seria, creio, útil se comparássemos certos aspectos da Itália que consideramos como excepcionais com o que acontece em Portugal. Por exemplo, até que ponto Berlusconi, que para muitos portugueses se apresenta como alguém incompreensível e inadmissível, não é comparável a Sócrates? E não é apenas na corrupção, mas no comportamento do “animal feroz” e como isso é justificado pelos seus apoiantes. Em suma, parece-me um erro induzir de um acontecimento (e já agora da foto) uma série de generalidades sobre um país, independentemente de partilharmos as convicções sobre essas mesmas generalidades.
Com o ponto 1, e sem querer dar uma de Francisco José Viegas, queria simplesmente dizer que não posso deixar de constatar que a Esquerda (ou uma certa esquerda caviar, como é o caso), na sua ânsia de tudo regulamentar em matéria de costumes, desde a siesta até à maneira como cada um se deve vestir e comer, acabe por vezes por ser mais papista do que o papa. Não trabalho em nenhuma rede pública, mas imagino que em qualquer país basta o bom senso – sem necessidade códigos –, o que explica que nas televisões públicas (RAI incluída) as apresentadoras se vestem de forma bem mais conservadora/formal do que nos canais privados. Tal como acontece em Portugal. E no meu ponto 1 queria ainda dizer que a decisão parte de alguém, a nova directora da RAI 3, que apresentou programas como o Big Brother e, e isto é o mais caricato de tudo, que sempre se vestiu de forma, lá está, ousada, nos programas que apresentou. Deixo aqui algumas fotos para fechar com chave de ouro:
http://media.meltybuzz.it/article-2843857-ajust_930-f1464359586/daria-bignardi-con-una-provocante-scollatura.jpg
http://img.tgcom24.mediaset.it/binary/twitter/20.$plit/C_4_articolo_2037627__ImageGallery__imageGalleryItem_1_image.JPG
http://photos1.blogger.com/x/blogger/3836/3999/1600/626293/VZ05022007-116.jpg
Com os melhores cumprimentos,
Leitor atento
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De lucklucky a 07.06.2016 às 23:12

É lógico a Esquerda hoje está em aliança com o Islamismo. Logo toca a tapar.

O que era um pretexto para dinamitar a sociedade para tomar o poder- Lembram-se da telenovela brasileira do topless nos anos 80 tão aplaudida como modernidade? - hoje seria sexismo e "objectivação da mulher".

Nos EUA o "Amor Livre" deu lugar a Sexo Regulado nas Universidades mais à Esquerda.

Os Monólogos da Vagina eram um grande exemplo contra a discriminação , hoje é um exemplo de discriminação contra a inclusão porque as mulheres já não são definidas pela existência de vagina.

Tudo e o seu contrário é válido.
O que interessa é destruir a cultura - qualquer que ela seja - substituir por outra - qualquer que ela seja-. Em constante rotação.

As causas são apenas pretextos para tomar o Poder.
O resultado para o Marxismo nunca interessa.

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De cristof a 08.06.2016 às 04:05

A politica italiana lá vai funcionando. Certo se acharmos que governar a contra gosto e apenas avançar quando a UE obriga, ter uma sociedade em que para se abrir e manter um negocio que não seja explodido é necessário pagar a uma máfia...podemos dizer com a mesma exigência, que o congresso do PS aplaudiu o amigo do S.Silva que o ajuda a gastar os milhões, que lá vão "governando.

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