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Da inutilidade do voto

por Luís Naves, em 29.05.18

No domingo, ao passar pela feira do livro, sentei-me na praça laranja onde se falava de uma obra sobre a política europeia. Alguém do público fez uma pergunta sobre a situação na Hungria e na Polónia e a eurodeputada socialista Ana Gomes começou a debitar umas vacuidades sobre o tema, com erros factuais. Estava a ouvir aquilo e perdi a cabeça, comecei a dizer em voz alta «isso não é assim», «dê exemplos», mas eu é que fiz figura de urso. No final, quando me aproximei da senhora, para lhe explicar o que pensava ser o seu erro, ela enfrentou-me com olhar vazio, a repetir uma banalidade, como quem dizia: «não te quero ouvir». Aquele foi um pequeno gesto da política contemporânea: as opiniões dos eleitores só são úteis se coincidirem com a ortodoxia, se estiverem na linha justa, se confirmarem as opiniões oficiais. Quem não concordar, pertence à desordem e, naturalmente, desisti de tentar debater o assunto. Há um partido húngaro que ganhou as últimas três eleições legislativas (mais as europeias e regionais) e a interpretação habitual não consegue explicar o fenómeno, mas uma eurodeputada com responsabilidades europeias não estava disposta a ouvir uma interpretação diferente da sua, ou seja, os países de leste não podem bater o pé a Bruxelas, têm de se apresentar de forma disciplinada e de chapéu na mão, para pedir o subsídio que generosamente lhes concedem (o pós-comunismo nunca existiu, a economia deles não está a crescer a 5%, nada de políticas próprias, os eleitores são perigosos nacionalistas e xenófobos).
Não se trata apenas de haver alguns políticos que já não ouvem as pessoas, há um fosso crescente entre as elites e o povo, pois os do topo estão numa bolha de privilégios e entre os que se arrastam pelo fundo fermenta um descontentamento que não tem por onde escapar. Os populistas italianos dizem que votar já não serve para nada e, a avaliar pela comédia felliniana dos últimos dois dias, parecem ter razão. Os mercados impuseram a um país rico (uma potência que integra o G7) um governo tecnocrático não eleito e sem viabilidade parlamentar, cujo mérito será o de manter a ortodoxia financeira que produziu péssimos resultados nos últimos quinze anos. Desta vez, a esquerda acha bem, ao contrário do que aconteceu quando a Grécia tentou sair do euro, situação em que os mercados e a Europa agiram perversamente. Aliás, Europa é cada vez mais um termo vago, pois o directório franco-alemão determina os acontecimentos e ninguém vota nos obedientes mordomos de Bruxelas. Em França, um em cada quatro votos não tem representação parlamentar (nem mediática) e na Alemanha o novo governo é formado pelos dois partidos que sofreram punições do eleitorado e que continuam tranquilamente no poder.
Estes, provavelmente, são apenas sintomas febris de uma doença mais profunda das democracias. A fragmentação política tende a agravar-se e a Catalunha serve como exemplo do que pode vir aí. Após eleições regionais que deram origem a um novo parlamento catalão, uma maioria parlamentar com minoria de votos não ouve um único argumento da minoria parlamentar com maioria de votos. A região ficou ingovernável e está sob tutela de Madrid. A burguesia elitista dos partidos catalanistas despreza com convicção os emigrantes internos (da Andaluzia e Galiza) que votaram no espanholismo. A sociedade está partida ao meio. A surdez política também é demasiado evidente em Portugal, veja-se a discussão de hoje sobre a eutanásia. Nenhum partido discutiu o assunto nas suas promessas eleitorais. Legislar sobre algo que não foi tema de campanha é absurdo (os partidos não têm mandato) e serve apenas para distrair de outros problemas mais importantes. Todos os eleitores podem dizer que, neste caso, o seu voto foi inútil.


41 comentários

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De Anónimo a 29.05.2018 às 12:34

As democracias, perdão, partidocracias há muito que são um beco sem saída.
Sem saída, num triplo sentido:
- porque não têm remédio;
- porque obviamente não querem sair;
- porque exploram e são sustentadas pelo imobilismo e pelo medo das populações.
João de Brito
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De Meister Von Kälhau a 29.05.2018 às 13:00

Se a democracia servi-se para alguma coisa seria proibida.
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De Anónimo a 29.05.2018 às 16:24

Bruxo

WW
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De Vento a 29.05.2018 às 13:45

O que hoje assistimos na Europa, e muito concretamente em Portugal, usando como referência a ala do PS/Costa e o BE, é um fenómeno que em tudo se compara ao neo-estalinismo levado a efeito na década de 60 do século passado para lá da cortina de ferro.

Se é verdade que esse neo-estalinismo que refiro se inaugura com a invasão da Checoslováquia, em Agosto de 68, por parte de 5 países do ex pacto de Varsóvia, liderados pela URSS, o mesmo, o neo-estalinismo, inicia-se em Portugal com a pseudo-coligação de esquerda, em particular o PS e o BE, que está aí para reivindicar louros quando convém e para sacudir derrotas quando inoportunas, como é o caso da morte dos incêndios no Verão de 2017; como é o caso da passeata para sacar umas fuscas no quartel de Tancos; como é o caso da política da habitação em Portugal que, sabe-se agora, é liderada por um especialista em mercados imobiliários.

Ficaria vazia esta explanação se não abordasse a causa da reintrodução do neo-estalinismo e consequente invasão da Checoslováquia.
O modelo que Dubcek preconizava, conhecido como Primavera de Praga, e iniciado em Janeiro de 68, entre outros factores, que por questão de poupança aqui não abordarei, assentava na destruição do centralismo burocrático, do centralismo totalitário, e visava adaptar o socialismo à realidade social, cultural e económica do e de cada país.
Em alternativa, propunha um modelo cibernético constituído por vários centros autónomos democraticamente eleitos, onde a participação de todos, desde as bases da sociedade, ao campo produtivo, intelectual e cultural, ensino estavam ligados ao modelo central de governação. Modelo este, o de governação, que transformou um órgão monáqrquico, onde os "eleitos" eram escolhidos por cooptação ou nomeação sem reconhecimento de méritos, mas somente de fidelidade canina, num órgão de eleição verdadeiramente democrático.

Modelo este que implantou com sucesso - ao contrário do que Gomulka tinha feito na Polónia, onde felizmente 85% da população era constituída por católicos, sendo esta população a base da grande e silenciosa marcha para a queda do referido modelo a leste - até que o Inverno foi reimplantado através de uma força militar efectiva constituída por 500.000 elementos.

A nuance a este neo-estalinismo, que ocorre na Europa e em particular em Portugal, consiste na tomada do órgão central de poder para aí, contrariando os valores sociais, culturais, económicos e intelectuais, proceder à implementação das mais abjectas, aberrantes e também totalitárias normas legislativas. Indo contra a consciência das populações, contra a sua liberdade e contra o seu direito e dever em participar na causa comum.
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De Anónimo a 29.05.2018 às 14:01

À Ana Gomes, não ligue, e um caso perdido como quase todos os dessa linhagem pós/pro-guterres&socrates. Quanto ao resto, é com imensa tristeza, com luto, que reconheço : tem toda a razão. A minha querida Europa tem vindo a desiludir-me, ano após ano. Continua, evidentemente, o único espaço geopolítico a que quero pertencer; mas não é um espaço de sonho, de desejo, um espaço que se possa amar; é um triste remedeio.

Jurei a mim próprio que, depois do Reino Unido, se a Itália sai da UE, esta para mim acabou. Não há nenhuma forma de Europa sem Itália, o nosso mais amado berço. Eu até aceito o "directório" franco-germânico, são o centro cultural, civilizacional, financeiro, da Europa desde que se conhece como tal, como unidade face ao mundo oriental e além-atlântico. Gosto bastante dos governos e politicas actuais - Macron e Merkel - talvez a melhor parelha dos últimos dez ou vinte anos. É gente séria e confiável. Mas quanto a prosseguir o ideal europeu no sentido de mais bem estar e desenvolvimento, nicles. É só manter o status quo, ir gerindo crises, ir controlando défices. Ora.

Quero, quero muito e cada vez mais, federalismo. Quem está aí para o defender? A esquerda nem quer ouvir falar disso, os populistas de direita ainda menos, os nacionalismos mesquinhos estão exarcebados.

Quero votar, sim, numa equipa entusiasta da Federação Europeia, uma equipa que se empenhe de corpo e alma em encontrar a via de renascimento para a Europa.
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De Anónimo a 29.05.2018 às 16:45

Caso não se tenha apercebido a Europa da CEE acabou há muito tempo.
O que sobra hoje, é o do sempre, estados grandes a parasitar os pequenos.
Uma Europa de Nações era o projecto inicial que evoluiu para uma Europa pan federalista em que a Alemanha manda e a França faz os fretes necessários para manter um falso poder.
O grave desrespeito que é feito aos eleitores italianos é somente mais um entre os já feitos a todos os povos que manifestaram sérias dúvidas sobre os tratados com que foram confrontados, com a repetição de referendos até se obter o resultado pretendido...pelas "elites" subservientes a interesses obscuros.
Temo que o Brexit não se efective na plenitude do esperado pelos cidadãos ingleses, devo realçar que a "velha" Inglaterra sempre se mostrou avisada nas suas opções enquanto Nação soberana como podemos comprovar pela sua história.
Portugal vive nos dias de hoje atolado em dívidas impostas do exterior e carinhosamente recebidas por uma classe de dirigentes que se contenta com os restos que caiem da mesa.
O Neo-comunismo está cada vez mais forte impondo tudo e mais alguma coisa a povos que muito fizeram pela Europa - Portugueses, Gregos, Italianos, Polacos, Húngaros.
A europa obriga os escravos obedecem, até um dia...

WW
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De Anónimo a 29.05.2018 às 20:12

Neo-comunismo? delira, meu caro. 'Escravos', se os há, mesmo como eufemismo, é ... no resto do mundo (Rússia, Chechénia, China, Coreia N, Ceilão, Vietnam, Cambodja, toda a Ásia Menor, toda a África, noroeste da América do Sul...). Onde há povos livres e pensantes senão na Europa?
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De Anónimo a 29.05.2018 às 21:36

Creio que as suas observações me dão razão, por haver por enquanto alguns povos livres e pensantes na europa é que a europa ainda não evoluiu para os que mandam pretendem, mas torcendo as regras do jogo democrático eles irão conseguir ou Não.

WW
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De Meister Von Kälhau a 29.05.2018 às 21:45

Os europeus aprenderam a amar a sua escravidão. Confundem-na já com a Liberdade
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De Isabel a 29.05.2018 às 20:30

Macron e Merkel nao querem nenhuma federação europeia. Querem uma união europeia, sem nações, com poderes regionais dependentes deles e cidadãos europeus. Nao há nessa união nem portugueses, nem espanhóis, etc. Há europeus, funcionando igual à Alemanha que é o modelo imposto a todos através de Bruxelas que hoje já manda em cerca de 80% das leis por todos aplicadas. Para quem está atento a informação europeia, vai vendo que quase todas as semanas há mais um bocado da soberania das nações ( termo considerado reaccionário na EU ) que passa para Bruxelas. Só são admitidos governos que tenham essa ideia para a Europa e que não contestem a arquitectura do Euro que como já demonstrado por vários investigadores e prémios Nobel da economia, só beneficia a Alemanha ( vide, por exemplo, Stiglitz, Krugman e, entre nós, estudos de Vitor Bento e conferencia de Joao Ferreira do Amaral ). O governo proposto pela coligação ganhadora das eleições em Italia não foi aceite pelo presidente italiano, conforme diktats de Bruxelas e Berlim. Porem, o governo declarava-se europeista mas discordando da actual política económica europeia. E estar preparado para discutir com Bruxelas soluções alternativas. Um comissário europeu comentou ontem que os mercados hão-de ensinar os italianos a votar. E as ofensas que os principais órgãos da imprensa alemã dirigiram aos italianos são inaceitáveis num pais de gente civilizada.
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De lucklucky a 29.05.2018 às 14:22

Tem-se cada vez mais política - ou seja cada vez mais totalitarismo - uma vez que o jornalismo Marxista funciona como catalizador para cada vez mais política. Com cada vez mais actividades da vida humana a serem determinados pela política.

Assim o jornalismo substitui-se aos eleitores formando um complexo político-jornalista. É aí onde está o Poder. Agradar ao Jornalismo.
Não é no voto.

António Costa , Marcelo Rebelo de Sousa etc estão muito mais preocupados com o que os Telejornais dizem que com o que o cidadão diz.
Este mecanismo foi-se aprofundando há suficiente tempo que hoje já se pode considerar uma cultura.

O problema é que os que estão contra também acreditam piamente na política.
Ou seja é mais do mesmo.
Não se ouve a palavra Liberdade nem nos que têm o poder nem nos que estão contra o poder.
Todos querem controlar o outros.
O acreditar piamente na política substitui o acreditar na religião. É a nova religião.

Na prática acabou a separação entre igreja e política.

A igreja são os Telejornais, as "notícias". Onde se faz o proselitismo. Onde a moral da sociedade é construída. O telejornal das 20H é a missa diária.
Nenhum ou quase nenhum jornalista vai para a profissão para dar notícias, vai para ser padre, fazer proselitismo da religião política. E da religião marxista em particular pois é a que assegura que haja sempre mais e mais política.
Pois tudo é âmbito do Marxismo. Não há limites ao seu poder.

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De Anónimo a 29.05.2018 às 15:50

Caro lucklucky:
Não pode variar um bocadinho? Essa do Marxismo já chateia e arrisca ter poucos leitores. Não seja monótono, seja alegre, não seja triste.
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De Meister Von Kälhau a 29.05.2018 às 20:17

O Lucky acredita que ser triste é ser Profundo. E no dogmatismo, coerência!
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De lucklucky a 30.05.2018 às 11:29

Se você não sabe nada dos Assírios, dos Druzos, dos Curdos, etc então é normal que não perceba como o Marxismo controla a sua vida.

Se você não sabe porque é que a liberdade de associação num partido e numa empresa foi limitada pela lei com quotas sexuais então não sabe como o Marxismo controla a sua vida.

Se você não sabe porque é que o Fidel Castro foi um "Líder Cubano" e Augusto Pinochet foi um "Ditador Chileno" então não sabe como o Marxismo controla a sua vida.

Se você não sabe que porque é que na Esquerda existem "activistas" e na direita existem "extremistas" então não sabe como o Marxismo controla o seu pensamento.

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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 17:59

A" Memória de Fidel” leva-nos a conhecer a história da turbulenta carreira do ditador cubano, contada através de reportagens, imagens inéditas e gravações raras da época.

http://media.rtp.pt/extra/ficcao/fidel-castro/

Aos Sociais Democratas chamam-lhes agora de extrema esquerda.

Os "Árabes" abraçaram a ajuda soviética não por convicções ideológicas mas por pragmatismo utilitário - queriam independência e financiamento. As ideologias materialistas foram muleta de Nacionalismos e do Pan Arabismo
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De lucklucky a 30.05.2018 às 11:39

Consegues imaginar alguém que pertença e seja líder de uma associação que publique artigos a defender a suspensão do voto dos homens negros e continuar a ser apresentadora de um programa de TV num país europeu?

Mas se tiver artigos da suspensão do voto dos homens brancos já pode:

Rita Ferro Rodrigues, líder das Capazes:

https://archive.is/LCHO5

Se não percebes de onde isto vem não percebes como o Marxismo controla a tua vida.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 17:54

Imagino que tenha havido indignação e condenação pública:

Paula Cosme Pinto, no Expresso, confessa ter ficado “nauseada” depois de ler a crónica.

Nos comentários da publicação, os ânimos exaltaram-se, com homens e mulheres a criticarem duramente a cronista.

O artigo foi de Suellen Menezes.

Quem é Suellen Menezes?
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De Vento a 30.05.2018 às 21:15

Você tem razão em muitas coisas que afirma. Porém labora num erro, o mesmo erro em que laboram muitas desses que refere como "jornalismo marxista".
Não existe uma marxismo de cariz universal. Isso é conversa para adormecer. Existe sim em nome de um suposto marxismo a tentativa de catalisar uma corrente de pensamento.
Os jugoslavos, tal como aconteceu a Dubcek, tal como aconteceu na Hungria, mas também Carrilho, Berlinguer.. sempre se pronunciaram e demonstraram o erro da sovietização, modelo que hoje o BE e o PS seguem.
Aliás, existia um dogma que era comum à ICAR e a muitos dirigentes Comunistas: esse dogma consistia, por um lado, na infalibilidade papal; por outro, na infalibilidade do sistema soviético.

Acontece que a ICAR, em tempo próprio, soube fazer o denominado aggiornamento provocando até mesmo um sobressalto nas alas mais conservadores, e os restantes ficaram-se no mais do mesmo.

Isto para informá-lo que anda desinformado, e que o seu tom ou tónica no marxismo iguala o tom dos que acusa.

Concluindo, a liberdade é tom que hoje o BE quer colocar como dogma universal, a liberdade deles.
Por isto, em nome da liberdade, Mortágua afirma isto:
"Não há uma verdade filosófica sobre a morte como não há uma sobre a vida, e nenhuma sociedade se deve angustiar por isso".
E isto:
"O direito à vida é inviolável. Há um edifício civilizacional construído em cima deste alicerce humanista fundador dos direitos humanos."

Páro agora um bocadinho para comentar: diz ela que não existe nenhuma verdade filosófica sobre a morte e sobre a vida. Mas assume que o direito à vida é inviolável e há um alicerce civilizacional humanista...

Bem, importa saber qual a origem deste pensamento sobre o alicerce civilizacional humanista: filosófico? outro? Ou o pensamento humanista não é filosófico?

Mais ainda, refere isto:
"Ao Estado cabe proteger esse edifício, castigar penalmente quem atente contra a vida de alguém, minimizar os riscos, garantir a segurança e promover a dignidade da vida humana."
para depois afirmar isto:
" Não aceito que me forcem a continuar viva para além da minha morte por decisão de uma consciência que me é estrangeira."

Concluindo, transforma a sua liberdade individual como direito de impor que outros contrariem tudo o que verte quer sobre a inviolabilidade da Vida quer sobre a protecção que o Estado deve garantir para defender tal edifício.
Tudo aqui:
https://ionline.sapo.pt/artigo/614091/-voltara-o-tempo-de-escolher?seccao=Opiniao_i

Meu caro, isto não é marxismo. Creio que diz respeito ao delírio filosófico do BE.
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De Meister Von Kälhau a 29.05.2018 às 14:26

Uma nota:

Ana Gomes que no congresso do partido desferiu indignação quanto à graça da corrupção reformar-se-á brevemente da política, após anos como eurodeputada. Pena que tarde venha a indignação. Parece assim morder na mão de quem lhe deu de comer. Parece não tanto uma Questão de Consciência mas mais uma questão de saciedade
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De Anónimo a 29.05.2018 às 17:05

Na politíca, é a Senhora Embaixadora uma reconhecida "Valente" que reiteradamente chega sempre bem para além do fim da "batalha" ....

Jorg
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De Justiniano a 29.05.2018 às 15:36

E valha-lhe, ao caro Naves, não haver sido sumarissimamente julgado como Nazi e devida e imediatamente vergastado no pelourinho mais próximo!! Não falta muito, a analisar pelos fenómenos que se importam e mimetizam de outras paragens!!
Tornou-se impossível o diálogo cordial, racional e de persuasões assentes em regras da experiência comum que hajam ultrapassado o teste do tempo e as oposições da razão.
Há, por vezes, e a bem da boa razão, uma irreconciliabilidade por princípio!! Já só podemos pregar aos convertidos, é nisto que estamos!!
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De Luís Lavoura a 29.05.2018 às 16:20

Há um partido húngaro que ganhou as últimas três eleições [...] e a interpretação habitual não consegue explicar o fenómeno

A mim parece-me que o fenómeno não é difícil de interpretar e toda a gente o interreta bem: a economia húngara está a crescer saudavelmente, os húngaros não gostam muito de estrangeiros no país deles, e portanto o partido que está no poder ganha as eleições. Nada que seja difícil de interpretar.

Cá em Portugal Cavaco Silva também ganhou eleições enquanto a economia cresceu.

O problema não está em o partido húngaro ganhar as eleições, o problema está em esse partido querer, declaradamente, um regime iliberal, que contradiz os princípios nos quais a União Europeia está fundada.
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De Luís Naves a 29.05.2018 às 20:54

Discordo: em 2010, quando o Fidesz teve maioria qualificada, o país estava numa profunda crise. Essa história do regime iliberal é uma treta mil vezes repetida. A UE está a tentar disciplinar um pequeno país que recusa a imposição de quotas obrigatórias de refugiados e migrantes, quotas essas que não constam dos tratados europeus. O Fidesz também está a pagar pelas políticas heterodoxas que introduziu para combater a crise e que foram um enorme sucesso, pois a banca e as empresas com rendas excessivas pagaram a factura da bancarrota socialista e a economia já está em pleno emprego, tratando-se aliás de uma das economias mais liberalizadas da Europa. Isto explica as três derrotas dos pós-comunistas. Se houvesse algum regime iliberal na Hungria, o Jobbik estava no poder e, no entanto, a extrema-direita (muito elogiada na imprensa ocidental) também levou uma sova nas urnas. Concordo apenas com uma coisa que escreve: a comparação com as maiorias de Cavaco Silva. O actual governo húngaro beneficia de uma conjuntura económica favorável, com fundos comunitários e investimento externo, mas grande parte do mérito deve-se ao facto de não ter seguido em 2011 a receita do FMI.
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De Meister Von Kälhau a 29.05.2018 às 21:53

Quando fala no liberalismo do Fidesz, fala apenas nas suas políticas económicas ou em algo mais?

https://af.reuters.com/article/worldNews/idAFKCN1GI272

Quanto aos fundos :

EU plans leaked: Hungary seen losing huge funds

The shift in the allocation of the funds could be particularly worrisome for Poland and Hungary due to a proposal announced by Budget Commissioner Günther Öttinger last week that would make cohesion funds - for the first time in the history of the EU - conditional on compliance with the rule of law in the next fiscal cycle.

https://m.portfolio.hu/en/economy/eu-plans-leaked-hungary-seen-losing-huge-funds.36050.html
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De Luís Naves a 30.05.2018 às 10:30

Vamos ver a negociação, será interessante. Estes países têm uma arma negocial, o facto dos fundos comunitários estarem previstos nos tratados como compensação pelo mercado único, enquanto as políticas migratórias pertencem aos estados-membros.
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De Meister Von Kälhau a 30.05.2018 às 11:05

Contudo não podem os Estados membros promover a perseguição e a promoção de politicas xenófobas.

As diretivas antidiscriminação: - proíbem a discriminação em razão da raça ou origem étnica (Diretiva 2000/43/CE), assim como da religião ou convicções, deficiência, idade ou orientação sexual (Diretiva 2000/78/CE); - concedem proteção numa série de domínios essenciais: emprego e formação profissional (ambas as diretivas); educação, segurança social e cuidados de saúde, assim como acesso ao fornecimento de bens e serviços, incluindo habitação (Diretiva 2000/43/CE); - proíbem diversos tipos de discriminação: a discriminação direta ou indireta, o assédio, a instrução para a prática de discriminação ou as represálias; - obrigam os Estados-Membros a estabelecer sanções e vias de recurso eficazes.

Refugees are ‘Muslim invaders’ not running for their lives, says Hungarian PM Viktor Orban.

Invasores - força inimiga que faz uma invasão
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De Anónimo a 30.05.2018 às 00:54

Bruxelas já avisou o governo húngaro de que se mantivesse a política de imigração pretendida deixaria de receber os fundos estruturais. Na Grécia o bce secou a tesouraria ( de que só ele dispõe ) aos bancos de modo a deixar os gregos sem dinheiro no multibanco. E no Chipre acrescentou a esta medida a utilização dos depósitos bancários para cobertura dos prejuízos ( provocados como? ) dos bancos.
Duas situações preocupantes constam de vários estudos insuspeitos sobre a economia da Europa: desde a entrada em funcionamento do euro tem havido uma transferência de riqueza dos países mais pobres para os mais ricos e do conjunto das populações mais pobres para as mais ricas. A melhoria que se verifica na situação da classe mais baixa tem sido financiada pelas classes médias que tendem a desaparecer.
A luta por uma situação melhor para as classes mais baixas não é reaccionarismo,nem populismo. Hoje, classes privilegiadas à parte, todos desesperam de não poder dar aos filhos um nível de vida igual ao que tiveram na idade deles. E se as políticas econômicas europeias não mudam, podemos temer que, então, se desenvolvam movimentos, esses sim, verdadeiramente extremistas e perigosos.
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De Luís Lavoura a 30.05.2018 às 09:29

Essa história do regime iliberal é uma treta

!!!

É o próprio presidente do Fidesz quem diz que pretende que a Hungria seja uma democracia iliberal. É ele próprio quem, ainda muito recentemente, repetiu isso mesmo (pelo menos, foi o que escutei no noticiário da rádio): que os outros países da Europa pretendem ser democracias liberais mas que o Fidesz, na Hungria, quer que o país seja democrático mas não liberal. Quer que o país tenha valores explícitos, que tome partido, e que rejeite liberdade para outros valores.

O Fidesz está a pagar pelas políticas heterodoxas que introduziu para combater a crise

O Fidesz introduziu essas políticas (em particular, a transformação da moeda dos créditos à habitação do euro em forint, o que na prática constituiu um enorme rombo a bancos austríacos) há muitíssimo tempo e não foi, nessa altura, punido por elas. Eu não sei porque é que não foi punido, mas questiono, porque é que haveria de ser punido agora e não quando essas políticas foram introduzidas?

Se houvesse algum regime iliberal na Hungria, o Jobbik estava no poder

Repito, é o próprio Fidesz quem afirma querer que a Hungria não seja um país liberal. Quem diz querer restringir a imigração a pessoas de etnia húngara (ou semelhante...), querer restringir muçulmanos e incentivar a cultura cristã, etc. É o próprio Fidesz quem afirma querer que a Hungria seja uma democracia não liberal.
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De Luís Naves a 30.05.2018 às 10:33

No auge da crise financeira, o primeiro-ministro húngaro usou num discurso essa expressão da democracia iliberal, mas ao lermos o contexto percebemos que ele estava a dizer que o sistema socialista falhou e que também falharam as políticas que, aqui em Portugal, costumamos erradamente designar como neo-liberais. Ora, diabolizar um país porque o seu PM acha que o neo-liberalismo falhou é algo estranho. No máximo, podemos acusá-lo de incoerência, pois a economia húngara é uma das mais liberais da Europa, com um IRC de 9% e uma taxa única de imposto de rendimentos, salvo erro de 19%. Infelizmente, a lenda é difícil de combater, como se torna fastidioso ter de repetir em cada texto que o Fidesz é um partido democrata-cristão com uma importante franja liberal, que abarca todo o eleitorado da direita e do centro, atraindo o voto da classe média, dos intelectuais, dos ciganos e dos funcionários públicos, com alguma dificuldade em atrair o voto dos jovens universitários e dos pensionistas. Também será inútil repetir a informação de que o Fidesz não é um partido eurocéptico mas pró-europeu, ao contrário do Jobbik, a formação de extrema-direita (com ligações à Rússia) que, infelizmente, lidera a oposição. Como vê, tudo ao contrário do que se diz. Quanto aos bancos austríacos, o meu coração sangra, mas o facto é que os grandes bancos (austríacos, holandeses, italianos) continuam no país, talvez por a economia estar a crescer a uma taxa real de quase 5%. Em 2010, os estrangeiros controlavam 90% da banca, agora controlam metade. Quanto à imigração, só é preciso dizer que os Tratados europeus são claros: estas políticas pertencem aos estados-membros.
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De Luís Lavoura a 30.05.2018 às 10:56

Eu repito que aquilo que ouvi na rádio foi que Viktor Orbán tinha dito, num discurso muito recente (não num discurso no auge da crise financeira), que pretende que a Hungria seja um país democrático mas não liberal e que vituperou a democracia liberal que, segundo ele, reina no ocidente da Europa. Ou seja, Viktor Orbán atacou o liberalismo recentemente.

Entretanto, já que o Luís Naves conhece bem a Hungria, eu gostaria de lhe fazer uma pergunta:

a economia húngara é uma das mais liberais da Europa, com um IRC de 9% e uma taxa única de imposto de rendimentos, salvo erro de 19%

Sendo os impostos sobre o rendimento tão baixos na Hungria, que percentagem do PIB húngaro é que o Estado arrecada e gasta? Se essa percentagem fôr, como suponho que seja, muito menor do que a portuguesa, então de que forma poupa o Estado húngaro dinheiro, em relação ao português? Não paga saúde? Não paga educação? Ou quê?
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De Luís Naves a 30.05.2018 às 18:37

Tem muita informação sobre isto nos sites da OCDE e nos relatórios da Comissão Europeia. As medidas liberais de Orbán, a meu ver, incluem o imposto de apenas 9% para as empresas, as leis laborais e o combate às rendas excessivas. A Hungria tem um nível de despesa pública semelhante à portuguesa, em termos de percentagem de PIB, mas lá os impostos estão a baixar e os salários a subir, aqui é ao contrário. O governo aumentou as pensões e cumpre as regras de défice e redução da dívida pública, que já está a 75%, quase no nível de Maastricht. A despesa social é sobretudo dirigida aos pensionistas e às comunidades ciganas, sendo o segundo caso muito contestado pela extrema-direita. A educação é gratuita e de qualidade, a saúde é barata e julgo que má (mas não conheço bem). De resto, ninguém se lembra de cortar nas verbas da cultura e das universidades.
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De Anónimo a 30.05.2018 às 12:08

Penso que, algures num verão de 2012 a 2014, Bruxelas decidiu que a política de emigração saía da soberania dos países. Sem qualquer debate, tal como se tornou prática permanente.
O termo « iliberal » usa-se agora para referir os governos ou aqueles que não defendem a mundializacao da economia, praticada pela Europa, pelas grandes empresas ( GAFAM ) e pelo mainstream mediático. Isto porque se deram conta de que chamar a todos reacionários, fascistas, extremistas, xenófobos, homofobicos etc etc estava ser objecto de grande chalaça por parte de vários intelectuais não alinhados.
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De Luís Lavoura a 29.05.2018 às 16:22

[na Catalunha] uma maioria parlamentar com minoria de votos não ouve um único argumento da minoria parlamentar com maioria de votos

... e vice-versa: a minoria parlamentar também se recusa a ouvir os argumentos da maioria parlamentar. A culpa do diálogo de surdos é de ambos.
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De Anónimo a 29.05.2018 às 16:46

Repito (me) : um prazer e um alívio ler quem sabe " com saber de experiência feito" e, já agora, "in loco", daquilo que (d)escreve.
Quanto à tontinha da gomes varina, mencionem-lhe as "primaveras árabes"...



JSP
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De Anónimo a 29.05.2018 às 20:14

gomes varina é muito bom :D

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