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A deflação não é ter preços mais baixos. A deflação é as pessoas não consumirem, depois as lojas baixarem os preços porque ninguém compra, depois as empresas despedirem os seus funcionários, e depois irem à falência. Lavar e repetir. Menos consumo leva a preços mais baixos que leva a mais desemprego que leva a menos capacidade de consumo. Se isto não é claro, não se preocupem; vê-lo-ão tanto que não conseguirão que vos passe despercebido.

E não pensem que os EUA estão imunes. A maioria das vendas da Black Friday e do Natal serão plástico, i.e., mais dívida, e mais dívida significa menor capacidade de consumo no futuro. A não ser que se possua uma economia crescendo suavemente, mas isso não sucederá quando a Europa, o Japão e em breve a China se encontrarão em deflação.

E, sim, petróleo a 50-60-70 dólares o barril acelerará o processo. Mas não será a causa principal. A deflação era um ingrediente do bolo desde o momento em que a desalavancagem de dívida em larga escala se tornou inevitável, e podem escolher qualquer instante entre a administração Reagan, que primeiro começou a subir os níveis da dívida, e 2008 para isso. E todos os estímulos combinados dos bancos centrais apenas significarão maior necessidade de desalavancagem em cima da que já existia. 

No ZeroHedge. Tradução e destaques meus.

 

Os optimistas acreditam que os estímulos dos bancos centrais levarão à concessão de mais crédito, que este conduzirá a mais consumo, que o consumo gerará crescimento económico suficiente para subir a taxa de inflação e reduzir o nível de endividamento existente na maioria dos países ditos desenvolvidos. Alguns optimistas um pouco menos optimistas, como os que definem a linha editorial da The Economist, acrescentam à política monetária agressiva a necessidade de reformas estruturais um pouco por todo o lado e de políticas fiscais expansionistas onde tal ainda se revelar possível. Por seu turno, os pessimistas acreditam que a «desalavancagem» (certos termos nunca deveriam extravasar do universo técnico onde nasceram) é inevitável, dado grande parte do crescimento das últimas décadas ter sido obtido precisamente através do aumento da dívida (pública e privada), que a acção dos bancos centrais só está a adiar e agravar o problema, gerando uma bolha nos mercados financeiros que pode estoirar a qualquer momento, que não há forma de sair disto sem um empobrecimento colectivo de vários anos (que já começou mas irá piorar). No que me diz respeito, tendo ainda por cima perdido quase todas as esperanças na capacidade de vários países levaram a cabo reformas estruturais significativas, estou no campo dos pessimistas. E se esse posicionamento permite a vantagem intrínseca do pessimismo (não ser apanhado de surpresa), não evita que se sofram as consequências nem permite usufruir da bênção de um período de inconsciência.

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2 comentários

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De Vento a 04.12.2014 às 01:24

Meu caro José,

a primeira parte do seu post já eu venho a alertar há muito tempo. Mais, a questão do petróleo é uma espécie de guerra de rentabilidade. A Arábia Saudita e mais dois ou três sabem que o valor de rentabilidade da sua produção se situa nos 10 USD, significa isto que vender a USD 10,00 o barril ainda gera lucros. Mas outros, como é o caso da Venezuela, Irão, Rússia e mais ainda possuem valores de rentabilidade situados entre os USD 60 e USD 70. Também significa isto que o petróleo e o gás de xisto não conseguem competir com os níveis de rentabilidade que a Arábia Saudita apresenta.
Que significa isto? Significa tão somente que se todos entrarem em crise por razões energéticas o mundo pode estourar, mas já não por causa de razões financeiras mas em consequência destas.

Os estímulos dos Bancos Centrais não estão aí para "alavancar" a economia, mas tão somente para manter os níveis de despesa e evitar a queda abrupta dos fazedores de dinheiro (mercados).
As ditas reformas estruturais tinham como princípio fazer empobrecer para que outros não ficassem pobres; e eu sempre disse que o efeito dominó chegaria e que esses que as defendiam haviam de ter uma pipa de massa no Banco e não ter nada com que fazer com ela. É este o problema da deflação: os pobres não compram por terem ficado pobres e os ricos ficarão pobres porque não têm clientes para a sua produção e/ou riqueza ainda disponível.

Bendita crise que nos tornou todos iguais! É esta a grande reforma estrutural.

Para quem crê e para os que podem desejar crer, resta uma pequena oração:

"Como em holocaustos de touros e cabritos e como em milhares de cordeiros cevados, assim chegue a ti, Senhor, o nosso sacrifício, de maneira que seja agradável na tua presença, porque não serão confundidos os que esperam em ti.".
E o nosso sacrifício é o sacrifício de Cristo, aquele que se renova e é visível ainda hoje na espécie que se faz Pão da Vida.
Quem tiver ouvidos, escute.

Meu caro José, atingimos o limiar da nossa pobreza de espírito, a partir de agora é necessário acreditar que "morrer" é lucro.



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De cristof a 04.12.2014 às 19:52

Já tenho lido de especialistas(o que me anima) que teremos que caminhar para o desenvolvimento e emprego social; cruza de algum modo com o que penso que não ganhamos nada em incentivar o consumo de mais televisões, mais carros , mais.. para haver mais fabricação, mais emprego temporário e pouco seguro.. mais depressões,mais frustações , mais cursos superiores para caixa de supermercado...

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