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Da culinária

por Teresa Ribeiro, em 28.02.15

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O António Costa estampou-se. Como líder da oposição não podia ter usado aquele qualificativo. "Diferente" foi um termo demasiado ambíguo e, não há como iludi-lo, soava a elogio. O país incendiou-se. O Governo a bater palminhas, o PS a bufar, os media frenéticos. Desde que Costa pregou aos chineses que não se fala de outra coisa. Análises, debates, opiniões elevam o caso a questão de fundo.

É assim a política. Estridente, balofa, sempre muito ocupada com os detalhes. Note-se, não estou a desculpar o Costa. Um político experiente tem que saber de culinária e há pelo menos 100 maneiras diferentes de fazer um discurso. Mas o que nunca me deixa de espantar é esta harmonia que se gera em torno de um caso político. Coordenadamente todos os que nele intervêm agem como se não soubessem o que realmente aconteceu - um discurso para investidores chineses em que o que foi dito em contexto de diplomacia económica foi aproveitado politicamente contra Costa. Nem mais, nem menos. A poeira politico-mediática do costume, sempre mais cintilante que a substância. 

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2 comentários

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De Vento a 28.02.2015 às 18:48

Meta uma coisa na cabeça, Teresa: Costa vai sair vencedor nas próximas eleições. Mas tem de ser o país a puxar por ele, porque ele não vai ser capaz de o fazer por si só nem com muitos dos que o rodeiam.

Marinho Pinto, que tudo apontava para marcar o pleno, tem-se enredado em conversas de vovô em torno da questão grega que só revela que não está preparado para lidar com os tempos que já se vivem e que aquecerão ainda mais.
Todos sabemos que qualquer gajo com dinheiro, que seja honesto, paga suas dívidas. Isto não significa que haja desonestidade naqueles que as não podem pagar, como bem se provará em relação à dívida portuguesa também. Não obstante a operação de camuflagem política que este governo quer fazer ao dizer que vai "pagar" 6 mil milhões em Março ao FMI. Eles não pagam nada, TROCAM A DÍVIDA. Deixam de dever ao FMI para dever aos mercados.

Mas Costa anda muito mal, muito mal mesmo.
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De Teresa Ribeiro a 01.03.2015 às 10:28

Pois, Vento, esperava-se melhor de alguém que já não é nenhum menino nestas coisas da política. Parece-me óbvio que Costa não se quer comprometer com um discurso que a realidade, agora muito volátil, poderá pôr em causa. Mas mesmo que pelas piores razões, ou seja, mesmo que para ceder apenas ao ritmo imposto pela agenda politico-mediática, ele vai ter que arriscar e apresentar rapidamente um programa.

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